The L2 acquisition of European Portuguese sluicing by L1 Mandarin Chinese speakers

Detalhes bibliográficos
Autor(a) principal: Kou, Ka Man
Data de Publicação: 2021
Tipo de documento: Dissertação
Idioma: eng
Título da fonte: Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP)
Texto Completo: http://hdl.handle.net/10451/47924
Resumo: Este estudo visa investigar a aquisição de sluicing em português europeu (PE) como língua não materna por falantes cuja língua materna é chinês mandarim (CM) e cuja língua segunda é inglês. A aquisição de sluicing, bem como a aquisição de outros tipos de elipse, tem sido tratada no âmbito da aquisição de uma L1. No entanto, a aquisição de sluicing numa L2 recebeu muito pouca atenção na área da linguística. Por conseguinte, este estudo visa explorar e examinar a aquisição de sluicing por falantes nativos de CM, cuja L2 é inglês e L3 é PE. Sluicing é uma estrutura elíptica em que a expressão wh- é pronunciada e o restante material na interrogativa é omitido (Ross, 1969). Segundo Merchant (2001), Sluicing em inglês é um resultado de movimento-wh e de elipse, entendida como apagamento do ponto de vista fonético. Tal como em inglês, sluicing em PE também resulta das mesmas operações (movimento-wh e elipse) (Mascarenhas & Mendes 1994, Matos 2003). No entanto, embora exista uma estrutura semelhante a sluicing em CM, a estrutura de sluicing em PE e em inglês e a estrutura de sluicing aparente em CM não correspondem à mesma estrutura, já que o CM é uma língua wh-in-situ, mas o PE e o inglês são línguas que apresentam movimento-wh. Isto significa que a estrutura semelhante a sluicing em CM não corresponde à derivação de sluicing em PE. Assim, designamos neste estudo sluicing em CM como “Chinese sluicing-like structure (CSLS)”, ou “uma estrutura parecida com sluicing em CM”. A CSLS pode ser explicada adotando uma análise que designaremos como a análise “pro-form”. Esta análise consiste em assumir que, em CSLS, existe um pronome nulo que precede a expressão wh- e este pronome nulo retoma o antecedente na frase anterior. Em relação à aquisição de língua não materna, Lardiere (2008) propõe que, para adquirir uma língua não materna, um aprendente tem de se desembaraçar dos traços associados a determinados itens lexicais e funcionais na L1 e reconfigurá-los de acordo com a língua-alvo. Na linha de Lardiere (2008), assumimos que, para adquirir sluicing em PE, além de adquirir os traços que definem as expressões wh-, os falantes nativos de CM teriam também de adquirir os traços que determinam a existência de movimento wh- , designadamente um traço [wh] forte em C. Além disso, para obter sluicing em PE, um aprendente nativo de CM teria de adquirir os traços que explicam especificamente sluicing, ou seja, um traço E que desencadeia a elipse no caso de sluicing. Aliás, conforme o Modelo de Primazia Tipológica de Rothman (2011), que assume que um aprendente de L3 escolheria uma língua previamente adquirida e a mais próxima da L3 (quer seja L1 ou L2) como a fonte de transferência durante a aquisição da L3, seria possível considerar a possibilidade de transferência do inglês (L2) para o português (L3). Neste caso, a transferência teria um efeito facilitador. Portanto, neste estudo temos como objetivo (1) investigar a aquisição do movimento wh- e sluicing em PE por falantes nativos de CM; (2) investigar a relação entre a aquisição de movimento wh- e a aquisição de sluicing em PE por falantes nativos de CM, de modo a verificar se os falante nativos de CM adquirem movimento-wh e sluicing ao mesmo tempo ou separadamente, sabendo que os falantes nativos de CM em ensino formal são explicitamente ensinados a construir interrogativas, mas não estruturas elípticas, nomeadamente, sluicing em PE; (3) testar se os falantes nativos de CM transferirão a estrutura de CSLS, que é superficialmente muito semelhante a uma estrutura sluicing com uma semipseudoclivada e a que chamamos “semipseudoclivada parcialmente elidida” em PE; (4) examinar se haverá alguma influência do inglês como L2 durante a aquisição de sluicing em PE como L3. Assim, o trabalho é orientado pelas seguintes perguntas de investigação: 1. A aquisição do movimento wh- em PE será condição suficiente para os falantes de CM adquirirem sluicing em PE ou há evidência de uma aquisição posterior de sluicing (que é associado a um traço E em C), como questão específica e independente na aquisição de sluicing de PE? 2. Os falantes de CM transferirão a estrutura de CSLS diretamente para PE, que superficialmente corresponde a uma estrutura que designamos de “semipseudoclivada parcialmente elidida” em PE? 3. Serão os falantes de CM influenciados pelas outras línguas adquiridas previamente, nomeadamente, inglês, levando a uma aceleração da aquisição de sluicing em PE? A fim de responder às perguntas de investigação, realizámos três testes diferentes: uma tarefa de produção e uma tarefa de aceitabilidade em PE e uma tarefa de aceitabilidade em inglês. A tarefa de produção tem como objetivo testar se os falantes nativos de CM são capazes de produzir sluicing em PE; a tarefa de aceitabilidade em PE visa avaliar se os falantes nativos de CM aceitarão os itens que exibem movimento-wh e sluicing em PE e examinar se eles transferirão a estrutura de CSLS para PE, nomeadamaente, se mapearão a estrutura disponível em CM com uma estrutura que corresponderia em PE a uma estrutura que podemos analisar como uma semipseudoclivada parcialmente elidida; a tarefa de aceitabilidade em inglês procura verificar se a aquisição de inglês como L2 tem influência na aquisição de sluicing em PE. Os primeiros dois testes foram aplicados a 60 falantes nativos de CM de diferentes níveis de proficiência de PE (B1: 23 falantes; B2: 20 falantes; C1:17 falantes) e a 21 falantes nativos de PE. O terceiro teste foi aplicado somente a falantes de CM. Os dados experimentais revelam que os falantes nativos de CM aceitam interrogativas com movimento wh-, mas não produzem sluicing, nem sequer aceitam sluicing em PE e em inglês. Isto significa que os resultados estão de acordo com as predições que formulámos com base na hipótese de Lardiere (2008): os falantes nativos de CM já adquiriram os traços que explicam movimento wh-, em particular já adquiriram um traço [wh] forte em C em PE, mas não adquiriram o traço E que desencadeia elipse do IP em PE, ou seja sluicing em PE. Por isso, estes falantes não produzem nem aceitam sluicing em PE. Além disso, os dados mostram que os falantes nativos de CM também não adquiriram sluicing em inglês, mas já adquiriram movimento-wh em inglês. Por outras palavras, os falantes nativos de CM adquirem movimento-wh e sluicing separadamente. Como a aquisição de sluicing quer em PE quer em inglês está em curso, é possível afirmar que não há nenhuma influência do inglês na aquisição de sluicing em PE. Além disso, os dados mostram que os falantes nativos de CM não aceitam os itens de sluicing com semipseudoclivada parcialmente elidida, o que sugere que não mapeiam superficialmente CSLS para esta estrutura em PE. Além disso, isso será compatível com a ideia de que estes falantes não adquiriram esta estrutura em PE, que é uma estrutura de marcação de foco em PE. Acima de tudo, descobrimos que os falantes tenderam a fazer correções aos itens de sluicing usando estruturas que podemos descrever como “expressões-wh- + ser” em PE, que provavelmente são produzidas ou como uma estrutura de elipse de VP em PE ou como uma estrutura não elíptica equivalente a CSLS. Concluímos que os falantes de CM (1) já adquiriram o movimento-wh em PE, mas não a estrutura de sluicing; (2) não transferiram CSLS para uma estrutura de (sluicing com) semipseudoclivada parcialmente elidida em PE; (3) não mostraram nenhuma influência do inglês na aquisição de sluicing em PE. De uma forma mais geral, os resultados permitem sugerir que não só a aquisição de movimento-wh e a aquisição de sluicing são independentes no processo de aquisição de uma L2, como, ao contrário do que acontece com a aquisição de movimento-wh, a aquisição de sluicing pode ser mais tardia (pelo menos, no contexto de aquisição aqui considerado e que corresponde a casos em que a aquisição conta não só com imersão, mas também com instrução formal).
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spelling The L2 acquisition of European Portuguese sluicing by L1 Mandarin Chinese speakersLíngua portuguesa – Aquisição linguísticaLíngua portuguesa - Elipse (Linguística)Língua portuguesa - Interrogação (Linguística)Língua portuguesa - Estudo e ensino - Falantes do chinêsLíngua inglesa - Falantes do chinêsLíngua chinesa - Elipse (Linguística)Língua chinesa - Interrogação (Linguística)Teses de mestrado – 2021Domínio/Área Científica::Humanidades::Línguas e LiteraturasEste estudo visa investigar a aquisição de sluicing em português europeu (PE) como língua não materna por falantes cuja língua materna é chinês mandarim (CM) e cuja língua segunda é inglês. A aquisição de sluicing, bem como a aquisição de outros tipos de elipse, tem sido tratada no âmbito da aquisição de uma L1. No entanto, a aquisição de sluicing numa L2 recebeu muito pouca atenção na área da linguística. Por conseguinte, este estudo visa explorar e examinar a aquisição de sluicing por falantes nativos de CM, cuja L2 é inglês e L3 é PE. Sluicing é uma estrutura elíptica em que a expressão wh- é pronunciada e o restante material na interrogativa é omitido (Ross, 1969). Segundo Merchant (2001), Sluicing em inglês é um resultado de movimento-wh e de elipse, entendida como apagamento do ponto de vista fonético. Tal como em inglês, sluicing em PE também resulta das mesmas operações (movimento-wh e elipse) (Mascarenhas & Mendes 1994, Matos 2003). No entanto, embora exista uma estrutura semelhante a sluicing em CM, a estrutura de sluicing em PE e em inglês e a estrutura de sluicing aparente em CM não correspondem à mesma estrutura, já que o CM é uma língua wh-in-situ, mas o PE e o inglês são línguas que apresentam movimento-wh. Isto significa que a estrutura semelhante a sluicing em CM não corresponde à derivação de sluicing em PE. Assim, designamos neste estudo sluicing em CM como “Chinese sluicing-like structure (CSLS)”, ou “uma estrutura parecida com sluicing em CM”. A CSLS pode ser explicada adotando uma análise que designaremos como a análise “pro-form”. Esta análise consiste em assumir que, em CSLS, existe um pronome nulo que precede a expressão wh- e este pronome nulo retoma o antecedente na frase anterior. Em relação à aquisição de língua não materna, Lardiere (2008) propõe que, para adquirir uma língua não materna, um aprendente tem de se desembaraçar dos traços associados a determinados itens lexicais e funcionais na L1 e reconfigurá-los de acordo com a língua-alvo. Na linha de Lardiere (2008), assumimos que, para adquirir sluicing em PE, além de adquirir os traços que definem as expressões wh-, os falantes nativos de CM teriam também de adquirir os traços que determinam a existência de movimento wh- , designadamente um traço [wh] forte em C. Além disso, para obter sluicing em PE, um aprendente nativo de CM teria de adquirir os traços que explicam especificamente sluicing, ou seja, um traço E que desencadeia a elipse no caso de sluicing. Aliás, conforme o Modelo de Primazia Tipológica de Rothman (2011), que assume que um aprendente de L3 escolheria uma língua previamente adquirida e a mais próxima da L3 (quer seja L1 ou L2) como a fonte de transferência durante a aquisição da L3, seria possível considerar a possibilidade de transferência do inglês (L2) para o português (L3). Neste caso, a transferência teria um efeito facilitador. Portanto, neste estudo temos como objetivo (1) investigar a aquisição do movimento wh- e sluicing em PE por falantes nativos de CM; (2) investigar a relação entre a aquisição de movimento wh- e a aquisição de sluicing em PE por falantes nativos de CM, de modo a verificar se os falante nativos de CM adquirem movimento-wh e sluicing ao mesmo tempo ou separadamente, sabendo que os falantes nativos de CM em ensino formal são explicitamente ensinados a construir interrogativas, mas não estruturas elípticas, nomeadamente, sluicing em PE; (3) testar se os falantes nativos de CM transferirão a estrutura de CSLS, que é superficialmente muito semelhante a uma estrutura sluicing com uma semipseudoclivada e a que chamamos “semipseudoclivada parcialmente elidida” em PE; (4) examinar se haverá alguma influência do inglês como L2 durante a aquisição de sluicing em PE como L3. Assim, o trabalho é orientado pelas seguintes perguntas de investigação: 1. A aquisição do movimento wh- em PE será condição suficiente para os falantes de CM adquirirem sluicing em PE ou há evidência de uma aquisição posterior de sluicing (que é associado a um traço E em C), como questão específica e independente na aquisição de sluicing de PE? 2. Os falantes de CM transferirão a estrutura de CSLS diretamente para PE, que superficialmente corresponde a uma estrutura que designamos de “semipseudoclivada parcialmente elidida” em PE? 3. Serão os falantes de CM influenciados pelas outras línguas adquiridas previamente, nomeadamente, inglês, levando a uma aceleração da aquisição de sluicing em PE? A fim de responder às perguntas de investigação, realizámos três testes diferentes: uma tarefa de produção e uma tarefa de aceitabilidade em PE e uma tarefa de aceitabilidade em inglês. A tarefa de produção tem como objetivo testar se os falantes nativos de CM são capazes de produzir sluicing em PE; a tarefa de aceitabilidade em PE visa avaliar se os falantes nativos de CM aceitarão os itens que exibem movimento-wh e sluicing em PE e examinar se eles transferirão a estrutura de CSLS para PE, nomeadamaente, se mapearão a estrutura disponível em CM com uma estrutura que corresponderia em PE a uma estrutura que podemos analisar como uma semipseudoclivada parcialmente elidida; a tarefa de aceitabilidade em inglês procura verificar se a aquisição de inglês como L2 tem influência na aquisição de sluicing em PE. Os primeiros dois testes foram aplicados a 60 falantes nativos de CM de diferentes níveis de proficiência de PE (B1: 23 falantes; B2: 20 falantes; C1:17 falantes) e a 21 falantes nativos de PE. O terceiro teste foi aplicado somente a falantes de CM. Os dados experimentais revelam que os falantes nativos de CM aceitam interrogativas com movimento wh-, mas não produzem sluicing, nem sequer aceitam sluicing em PE e em inglês. Isto significa que os resultados estão de acordo com as predições que formulámos com base na hipótese de Lardiere (2008): os falantes nativos de CM já adquiriram os traços que explicam movimento wh-, em particular já adquiriram um traço [wh] forte em C em PE, mas não adquiriram o traço E que desencadeia elipse do IP em PE, ou seja sluicing em PE. Por isso, estes falantes não produzem nem aceitam sluicing em PE. Além disso, os dados mostram que os falantes nativos de CM também não adquiriram sluicing em inglês, mas já adquiriram movimento-wh em inglês. Por outras palavras, os falantes nativos de CM adquirem movimento-wh e sluicing separadamente. Como a aquisição de sluicing quer em PE quer em inglês está em curso, é possível afirmar que não há nenhuma influência do inglês na aquisição de sluicing em PE. Além disso, os dados mostram que os falantes nativos de CM não aceitam os itens de sluicing com semipseudoclivada parcialmente elidida, o que sugere que não mapeiam superficialmente CSLS para esta estrutura em PE. Além disso, isso será compatível com a ideia de que estes falantes não adquiriram esta estrutura em PE, que é uma estrutura de marcação de foco em PE. Acima de tudo, descobrimos que os falantes tenderam a fazer correções aos itens de sluicing usando estruturas que podemos descrever como “expressões-wh- + ser” em PE, que provavelmente são produzidas ou como uma estrutura de elipse de VP em PE ou como uma estrutura não elíptica equivalente a CSLS. Concluímos que os falantes de CM (1) já adquiriram o movimento-wh em PE, mas não a estrutura de sluicing; (2) não transferiram CSLS para uma estrutura de (sluicing com) semipseudoclivada parcialmente elidida em PE; (3) não mostraram nenhuma influência do inglês na aquisição de sluicing em PE. De uma forma mais geral, os resultados permitem sugerir que não só a aquisição de movimento-wh e a aquisição de sluicing são independentes no processo de aquisição de uma L2, como, ao contrário do que acontece com a aquisição de movimento-wh, a aquisição de sluicing pode ser mais tardia (pelo menos, no contexto de aquisição aqui considerado e que corresponde a casos em que a aquisição conta não só com imersão, mas também com instrução formal).This study investigates the acquisition of sluicing in European Portuguese by L1 Mandarin Chinese speakers. While other studies mainly focus on the acquisition of other types of ellipsis and the acquisition of sluicing in L1, the acquisition of sluicing in L2 has received very little attention. In this study, we investigate the relation between acquiring wh-movement and sluicing by L1 Mandarin speakers, and test whether Mandarin speakers are able to produce sluicing and accept wh-movement and sluicing at the same time. We also examine whether Mandarin speakers map the Chinese sluicing-like structure to European Portuguese, and we investigate whether English has any influence on the acquisition of sluicing in Portuguese. We developed three tasks to test 60 L1 Mandarin speakers and 21 L1 European Portuguese speakers: an elicited production task was designed to test whether Mandarin speakers are able to produce sluicing in Portuguese; a Portuguese grammaticality judgment task was used to test whether they accept wh-movement and sluicing and to verify whether they transfer the Chinese sluicing-like structure to Portuguese; finally, an English grammaticality judgment task was designed to verify whether English has an influence on the acquisition of sluicing in Portuguese. Our results show that the Mandarin speakers accepted interrogatives with wh-movement, but they neither produced nor accepted sluicing in Portuguese or English. We conclude that these speakers acquired whmovement but not sluicing. English did not have any influence on the acquisition of sluicing.Santos, Ana LúciaRepositório da Universidade de LisboaKou, Ka Man2021-05-17T13:52:53Z2021-04-132021-01-282021-04-13T00:00:00Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://hdl.handle.net/10451/47924TID:202695638enginfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP)instname:FCCN, serviços digitais da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologiainstacron:RCAAP2025-03-17T14:33:29Zoai:repositorio.ulisboa.pt:10451/47924Portal AgregadorONGhttps://www.rcaap.pt/oai/openaireinfo@rcaap.ptopendoar:https://opendoar.ac.uk/repository/71602025-05-29T03:15:23.428642Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) - FCCN, serviços digitais da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologiafalse
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Kou, Ka Man
Língua portuguesa – Aquisição linguística
Língua portuguesa - Elipse (Linguística)
Língua portuguesa - Interrogação (Linguística)
Língua portuguesa - Estudo e ensino - Falantes do chinês
Língua inglesa - Falantes do chinês
Língua chinesa - Elipse (Linguística)
Língua chinesa - Interrogação (Linguística)
Teses de mestrado – 2021
Domínio/Área Científica::Humanidades::Línguas e Literaturas
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Teses de mestrado – 2021
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Língua portuguesa - Interrogação (Linguística)
Língua portuguesa - Estudo e ensino - Falantes do chinês
Língua inglesa - Falantes do chinês
Língua chinesa - Elipse (Linguística)
Língua chinesa - Interrogação (Linguística)
Teses de mestrado – 2021
Domínio/Área Científica::Humanidades::Línguas e Literaturas
description Este estudo visa investigar a aquisição de sluicing em português europeu (PE) como língua não materna por falantes cuja língua materna é chinês mandarim (CM) e cuja língua segunda é inglês. A aquisição de sluicing, bem como a aquisição de outros tipos de elipse, tem sido tratada no âmbito da aquisição de uma L1. No entanto, a aquisição de sluicing numa L2 recebeu muito pouca atenção na área da linguística. Por conseguinte, este estudo visa explorar e examinar a aquisição de sluicing por falantes nativos de CM, cuja L2 é inglês e L3 é PE. Sluicing é uma estrutura elíptica em que a expressão wh- é pronunciada e o restante material na interrogativa é omitido (Ross, 1969). Segundo Merchant (2001), Sluicing em inglês é um resultado de movimento-wh e de elipse, entendida como apagamento do ponto de vista fonético. Tal como em inglês, sluicing em PE também resulta das mesmas operações (movimento-wh e elipse) (Mascarenhas & Mendes 1994, Matos 2003). No entanto, embora exista uma estrutura semelhante a sluicing em CM, a estrutura de sluicing em PE e em inglês e a estrutura de sluicing aparente em CM não correspondem à mesma estrutura, já que o CM é uma língua wh-in-situ, mas o PE e o inglês são línguas que apresentam movimento-wh. Isto significa que a estrutura semelhante a sluicing em CM não corresponde à derivação de sluicing em PE. Assim, designamos neste estudo sluicing em CM como “Chinese sluicing-like structure (CSLS)”, ou “uma estrutura parecida com sluicing em CM”. A CSLS pode ser explicada adotando uma análise que designaremos como a análise “pro-form”. Esta análise consiste em assumir que, em CSLS, existe um pronome nulo que precede a expressão wh- e este pronome nulo retoma o antecedente na frase anterior. Em relação à aquisição de língua não materna, Lardiere (2008) propõe que, para adquirir uma língua não materna, um aprendente tem de se desembaraçar dos traços associados a determinados itens lexicais e funcionais na L1 e reconfigurá-los de acordo com a língua-alvo. Na linha de Lardiere (2008), assumimos que, para adquirir sluicing em PE, além de adquirir os traços que definem as expressões wh-, os falantes nativos de CM teriam também de adquirir os traços que determinam a existência de movimento wh- , designadamente um traço [wh] forte em C. Além disso, para obter sluicing em PE, um aprendente nativo de CM teria de adquirir os traços que explicam especificamente sluicing, ou seja, um traço E que desencadeia a elipse no caso de sluicing. Aliás, conforme o Modelo de Primazia Tipológica de Rothman (2011), que assume que um aprendente de L3 escolheria uma língua previamente adquirida e a mais próxima da L3 (quer seja L1 ou L2) como a fonte de transferência durante a aquisição da L3, seria possível considerar a possibilidade de transferência do inglês (L2) para o português (L3). Neste caso, a transferência teria um efeito facilitador. Portanto, neste estudo temos como objetivo (1) investigar a aquisição do movimento wh- e sluicing em PE por falantes nativos de CM; (2) investigar a relação entre a aquisição de movimento wh- e a aquisição de sluicing em PE por falantes nativos de CM, de modo a verificar se os falante nativos de CM adquirem movimento-wh e sluicing ao mesmo tempo ou separadamente, sabendo que os falantes nativos de CM em ensino formal são explicitamente ensinados a construir interrogativas, mas não estruturas elípticas, nomeadamente, sluicing em PE; (3) testar se os falantes nativos de CM transferirão a estrutura de CSLS, que é superficialmente muito semelhante a uma estrutura sluicing com uma semipseudoclivada e a que chamamos “semipseudoclivada parcialmente elidida” em PE; (4) examinar se haverá alguma influência do inglês como L2 durante a aquisição de sluicing em PE como L3. Assim, o trabalho é orientado pelas seguintes perguntas de investigação: 1. A aquisição do movimento wh- em PE será condição suficiente para os falantes de CM adquirirem sluicing em PE ou há evidência de uma aquisição posterior de sluicing (que é associado a um traço E em C), como questão específica e independente na aquisição de sluicing de PE? 2. Os falantes de CM transferirão a estrutura de CSLS diretamente para PE, que superficialmente corresponde a uma estrutura que designamos de “semipseudoclivada parcialmente elidida” em PE? 3. Serão os falantes de CM influenciados pelas outras línguas adquiridas previamente, nomeadamente, inglês, levando a uma aceleração da aquisição de sluicing em PE? A fim de responder às perguntas de investigação, realizámos três testes diferentes: uma tarefa de produção e uma tarefa de aceitabilidade em PE e uma tarefa de aceitabilidade em inglês. A tarefa de produção tem como objetivo testar se os falantes nativos de CM são capazes de produzir sluicing em PE; a tarefa de aceitabilidade em PE visa avaliar se os falantes nativos de CM aceitarão os itens que exibem movimento-wh e sluicing em PE e examinar se eles transferirão a estrutura de CSLS para PE, nomeadamaente, se mapearão a estrutura disponível em CM com uma estrutura que corresponderia em PE a uma estrutura que podemos analisar como uma semipseudoclivada parcialmente elidida; a tarefa de aceitabilidade em inglês procura verificar se a aquisição de inglês como L2 tem influência na aquisição de sluicing em PE. Os primeiros dois testes foram aplicados a 60 falantes nativos de CM de diferentes níveis de proficiência de PE (B1: 23 falantes; B2: 20 falantes; C1:17 falantes) e a 21 falantes nativos de PE. O terceiro teste foi aplicado somente a falantes de CM. Os dados experimentais revelam que os falantes nativos de CM aceitam interrogativas com movimento wh-, mas não produzem sluicing, nem sequer aceitam sluicing em PE e em inglês. Isto significa que os resultados estão de acordo com as predições que formulámos com base na hipótese de Lardiere (2008): os falantes nativos de CM já adquiriram os traços que explicam movimento wh-, em particular já adquiriram um traço [wh] forte em C em PE, mas não adquiriram o traço E que desencadeia elipse do IP em PE, ou seja sluicing em PE. Por isso, estes falantes não produzem nem aceitam sluicing em PE. Além disso, os dados mostram que os falantes nativos de CM também não adquiriram sluicing em inglês, mas já adquiriram movimento-wh em inglês. Por outras palavras, os falantes nativos de CM adquirem movimento-wh e sluicing separadamente. Como a aquisição de sluicing quer em PE quer em inglês está em curso, é possível afirmar que não há nenhuma influência do inglês na aquisição de sluicing em PE. Além disso, os dados mostram que os falantes nativos de CM não aceitam os itens de sluicing com semipseudoclivada parcialmente elidida, o que sugere que não mapeiam superficialmente CSLS para esta estrutura em PE. Além disso, isso será compatível com a ideia de que estes falantes não adquiriram esta estrutura em PE, que é uma estrutura de marcação de foco em PE. Acima de tudo, descobrimos que os falantes tenderam a fazer correções aos itens de sluicing usando estruturas que podemos descrever como “expressões-wh- + ser” em PE, que provavelmente são produzidas ou como uma estrutura de elipse de VP em PE ou como uma estrutura não elíptica equivalente a CSLS. Concluímos que os falantes de CM (1) já adquiriram o movimento-wh em PE, mas não a estrutura de sluicing; (2) não transferiram CSLS para uma estrutura de (sluicing com) semipseudoclivada parcialmente elidida em PE; (3) não mostraram nenhuma influência do inglês na aquisição de sluicing em PE. 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