O Diretor da Escola Pública Francesa: autonomia sob controlo
| Autor(a) principal: | |
|---|---|
| Data de Publicação: | 2024 |
| Tipo de documento: | Dissertação |
| Idioma: | por |
| Título da fonte: | Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) |
| Texto Completo: | https://hdl.handle.net/10348/13263 |
Resumo: | A falta de autonomia dos estabelecimentos de ensino em França é um assunto preocupante. Embora a lei conceda uma certa margem de autonomia às escolas, a sua implementação é muitas vezes limitada por injunções da administração central. Segundo um relatório de 2019, as margens de autonomia previstas nos textos vão sendo gradualmente reduzidas, o que limita a liberdade de atuação dos estabelecimentos e dos diretores. Em comparação com Portugal, os estabelecimentos franceses apresentam fracas capacidades de decisão, particularmente no que diz respeito à gestão dos diretores. A gestão das escolas em Portugal tem hoje um “regime de autonomia, administração e gestão”. Contudo, o peso do Estado centralizador e as poucas alterações entretanto ocorridas na administração das escolas portuguesas, faz da autonomia uma temática muito abordada em sede discursiva, mas com reduzida aplicação na prática. É, por isso, essencial considerar medidas para reforçar a autonomia dos estabelecimentos de ensino e aprender lições com experiências estrangeiras. Neste estudo de caso pretendemos conhecer as representações dos diretores da escola pública francesa, líderes que desempenham um papel crucial na administração das escolas, acerca das suas próprias funções na relação que se estabelece entre funções que lhe são atribuídas e o reconhecimento de autoridade quando está em causa a gestão pedagógica. Para o efeito, nesta investigação, optamos pela abordagem metodológica de natureza qualitativa, que procura a compreensão dos fenómenos na sua totalidade. Privilegiámos a entrevista semiestruturada aplicada a 6 interlocutores escolhidos de forma intencional e a análise de documentos, como técnica de recolha de dados, garantindo um fluxo de informação e proximidade com os participantes. O presente estudo foi realizado num colégio de ensino público, que corresponde a uma escola de 3 ciclo em Portugal, localizado a sudoeste da França. Apesar da nossa análise se situar ao nível meso, não dispensámos uma abordagem teórico-conceptual mais ampla indispensável na compreensão da legislação, da política educativa, da estrutura e da ação. A nossa análise heurística, assente no “modo de funcionamento díptico” (Lima, 2003, p.47), sendo uma abordagem que reconhece as múltiplas faces assumidas por uma instituição educativa. Às vezes, pode ser burocrática, em outras ocasiões, anárquica, e, em alguns casos, ambas simultaneamente. Concluímos que as estruturas, objetivos, recursos e atividades, dimensões burocráticas da escola, dão resposta em conformidade com as funções do diretor, em que este, usando de procedimentos estabelecidos para o efeito, a sua responsabilidade se estende ao nível da gestão de orçamento, da supervisão de recursos humanos e da garantia de um bom clima organizacional para todos os atores educativos. Ao mesmo tempo damos conta dos constrangimentos e limitações sentidas pelos diretores de escola que, de órgão de gestão e administração intermédio, caminha para um órgão de “assessoria” da direção geral em virtude da perda de poder, de autonomia à custa da ação dos docentes e da tutela. |
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Contudo, o peso do Estado centralizador e as poucas alterações entretanto ocorridas na administração das escolas portuguesas, faz da autonomia uma temática muito abordada em sede discursiva, mas com reduzida aplicação na prática. É, por isso, essencial considerar medidas para reforçar a autonomia dos estabelecimentos de ensino e aprender lições com experiências estrangeiras. Neste estudo de caso pretendemos conhecer as representações dos diretores da escola pública francesa, líderes que desempenham um papel crucial na administração das escolas, acerca das suas próprias funções na relação que se estabelece entre funções que lhe são atribuídas e o reconhecimento de autoridade quando está em causa a gestão pedagógica. Para o efeito, nesta investigação, optamos pela abordagem metodológica de natureza qualitativa, que procura a compreensão dos fenómenos na sua totalidade. Privilegiámos a entrevista semiestruturada aplicada a 6 interlocutores escolhidos de forma intencional e a análise de documentos, como técnica de recolha de dados, garantindo um fluxo de informação e proximidade com os participantes. O presente estudo foi realizado num colégio de ensino público, que corresponde a uma escola de 3 ciclo em Portugal, localizado a sudoeste da França. Apesar da nossa análise se situar ao nível meso, não dispensámos uma abordagem teórico-conceptual mais ampla indispensável na compreensão da legislação, da política educativa, da estrutura e da ação. A nossa análise heurística, assente no “modo de funcionamento díptico” (Lima, 2003, p.47), sendo uma abordagem que reconhece as múltiplas faces assumidas por uma instituição educativa. Às vezes, pode ser burocrática, em outras ocasiões, anárquica, e, em alguns casos, ambas simultaneamente. Concluímos que as estruturas, objetivos, recursos e atividades, dimensões burocráticas da escola, dão resposta em conformidade com as funções do diretor, em que este, usando de procedimentos estabelecidos para o efeito, a sua responsabilidade se estende ao nível da gestão de orçamento, da supervisão de recursos humanos e da garantia de um bom clima organizacional para todos os atores educativos. Ao mesmo tempo damos conta dos constrangimentos e limitações sentidas pelos diretores de escola que, de órgão de gestão e administração intermédio, caminha para um órgão de “assessoria” da direção geral em virtude da perda de poder, de autonomia à custa da ação dos docentes e da tutela.The lack of autonomy of educational establishments in France is a worrying issue. Although the law grants a certain margin of autonomy to schools, its implementation is often limited by injunctions from the central administration. According to a 2019 reports, the margins of autonomy provided for in the texts are being gradually reduced, which limits the freedom of action of establishments and directors. Compared to Portugal, French establishments have weak decision-making capabilities, particularly with regard to the management of directors. The governance of schools in Portugal today has a “regime of autonomy, administration and management”. However, the weight of the centralizing State and the few changes that have occurred in the meantime in the administration of Portuguese schools, make autonomy a topic that is often discussed in discourse, but with little application in practice. It is therefore essential to consider measures to strengthen the autonomy of educational establishments and learn lessons from foreign experiences. In this case study we intend to understand the representations of French public school directors, leaders who play a crucial role in the administration of schools, about their own functions in the relationship that is established between functions assigned to them and the recognition of authority when in causes pedagogical management. To this end, in this research, we opted for a qualitative methodology, which seeks to understand the phenomena in their entirety. We prioritized the semi-structured interview applied to 6 intentionally chosen interlocutors and document analysis, as data collection technique, ensuring a flow of information and proximity to the participants. The present study was carried out at a public school in Portugal, corresponding to a 3rd cycle school, located in the southwest of France. Although our analysis is at the meso level, we do not dispense with a broader theoreticalconceptual approach that is essential in understanding legislation, educational policy, structure and action. Our heuristic analysis, based on the “diptych mode of operation” (Lima, 2003, p. 47), is an approach that recognizes the multiple faces assumed by an educational institution. Sometimes it can be bureaucratic, at other times anarchic, and in some cases both simultaneously. We conclude that the structures, objectives, resources and activities, bureaucratic dimensions of the school, responded in accordance with the functions of the director, in which the director, using procedures established for this purpose, his responsibility extends to the level of budget management, supervising human resources and ensuring a good organizational climate for all educational actors. At the same time, we are aware of the constraints and limitations felt by school directors who, from an intermediate management and administration body, move towards an “advisory” body of the general management due to the loss of power and autonomy at the expense of the teachers’ actions and guardianship.2025-01-21T12:09:53Z2025-11-06T00:00:00Z2024-11-06T00:00:00Z2024-11-062024-11-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfapplication/pdfapplication/pdfhttps://hdl.handle.net/10348/13263porPereira, Florbela Carla Bastosinfo:eu-repo/semantics/embargoedAccessreponame:Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP)instname:FCCN, serviços digitais da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologiainstacron:RCAAP2025-01-26T02:08:35Zoai:repositorio.utad.pt:10348/13263Portal AgregadorONGhttps://www.rcaap.pt/oai/openaireinfo@rcaap.ptopendoar:https://opendoar.ac.uk/repository/71602025-05-28T19:41:32.846581Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) - FCCN, serviços digitais da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologiafalse |
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A falta de autonomia dos estabelecimentos de ensino em França é um assunto preocupante. Embora a lei conceda uma certa margem de autonomia às escolas, a sua implementação é muitas vezes limitada por injunções da administração central. Segundo um relatório de 2019, as margens de autonomia previstas nos textos vão sendo gradualmente reduzidas, o que limita a liberdade de atuação dos estabelecimentos e dos diretores. Em comparação com Portugal, os estabelecimentos franceses apresentam fracas capacidades de decisão, particularmente no que diz respeito à gestão dos diretores. A gestão das escolas em Portugal tem hoje um “regime de autonomia, administração e gestão”. Contudo, o peso do Estado centralizador e as poucas alterações entretanto ocorridas na administração das escolas portuguesas, faz da autonomia uma temática muito abordada em sede discursiva, mas com reduzida aplicação na prática. É, por isso, essencial considerar medidas para reforçar a autonomia dos estabelecimentos de ensino e aprender lições com experiências estrangeiras. Neste estudo de caso pretendemos conhecer as representações dos diretores da escola pública francesa, líderes que desempenham um papel crucial na administração das escolas, acerca das suas próprias funções na relação que se estabelece entre funções que lhe são atribuídas e o reconhecimento de autoridade quando está em causa a gestão pedagógica. Para o efeito, nesta investigação, optamos pela abordagem metodológica de natureza qualitativa, que procura a compreensão dos fenómenos na sua totalidade. Privilegiámos a entrevista semiestruturada aplicada a 6 interlocutores escolhidos de forma intencional e a análise de documentos, como técnica de recolha de dados, garantindo um fluxo de informação e proximidade com os participantes. O presente estudo foi realizado num colégio de ensino público, que corresponde a uma escola de 3 ciclo em Portugal, localizado a sudoeste da França. Apesar da nossa análise se situar ao nível meso, não dispensámos uma abordagem teórico-conceptual mais ampla indispensável na compreensão da legislação, da política educativa, da estrutura e da ação. A nossa análise heurística, assente no “modo de funcionamento díptico” (Lima, 2003, p.47), sendo uma abordagem que reconhece as múltiplas faces assumidas por uma instituição educativa. Às vezes, pode ser burocrática, em outras ocasiões, anárquica, e, em alguns casos, ambas simultaneamente. Concluímos que as estruturas, objetivos, recursos e atividades, dimensões burocráticas da escola, dão resposta em conformidade com as funções do diretor, em que este, usando de procedimentos estabelecidos para o efeito, a sua responsabilidade se estende ao nível da gestão de orçamento, da supervisão de recursos humanos e da garantia de um bom clima organizacional para todos os atores educativos. Ao mesmo tempo damos conta dos constrangimentos e limitações sentidas pelos diretores de escola que, de órgão de gestão e administração intermédio, caminha para um órgão de “assessoria” da direção geral em virtude da perda de poder, de autonomia à custa da ação dos docentes e da tutela. |
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