Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2004 |
Autor(a) principal: |
Blatt, Solange Lucia |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/9/9136/tde-30102019-111655/
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Resumo: |
A desnutrição protéico-energética (DPE) é a forma de desnutrição mais encontrada em áreas subdesenvolvidas, atingindo principalmente recém-nascidos de baixo peso para sua idade gestacional, pacientes hospitalizados sob alimentação parenteral, idosos, crianças pré-escolares, indivíduos com distúrbios alimentares como na anorexia nervosa e bulimia e pacientes portadores de neoplasias, doenças crônicas e sob quimioterapia. No sistema hematopoético, a proliferação e diferenciação celular ocorrem de forma constante e equilibrada, sensível às demandas de linhagens celulares específicas. O comportamento medular da população de cada linhagem hematopoética é controlado pelo equilíbrio entre auto-renovação das células tronco, a diferenciação e a morte celular. Alterações estruturais e celulares em órgãos hematopoéticos têm sido relatadas na DPE, com redução da celularidade de medula óssea e da sua capacidade de resposta a estímulos inflamatórios e/ou infecciosos em indivíduos desnutridos. Neste trabalho estudamos o efeito da deficiência protéica experimental em diferentes linhagens hematopoéticas, através da realização do hemograma e do mielograma; avaliamos a capacidade proliferativa ex vivo por técnicas imunocitoquímica (detecção de regiões organizadoras de nucléolo marcadas pela prata - AgNOR) e de imunohistoquímica (detecção do antígeno de proliferação nuclear - PCNA) e, em ensaios de cultura líquida e clonogênicos em metilcelulose. Paralelamente, avaliamos o perfil imunofenotípico e estudos morfológicos de células da medula óssea em DPE. Células não-derentes foram cultivadas em meio líquido (CL), avaliando-se durante 1,3 e 5 dias, e células totais foram cultivadas em metilcelulose, avaliando-se durante 7, 14 e 21 dias, em ambos os ensaios, a proliferação celular em hemocitômetros e por imunofenotipagem as populações celulares presentes nesses ensaios, sendo ambos suplementados com IL3, EPO, GM-CSF e G-CSF. Os resultados mostraram que a hemopoese é afetada pela desnutrição protéica, pois encontramos hipoplasia medular, destacando-se depleção dos setores eritróides, grânulo-monocíticos e megacariocítico e bloqueio maturativo. A anemia e leucopenia demonstradas são decorrentes da hipoplasia medular e, esta parece não ser dependente da apoptose. Os resultados da análise imunofenotípica evidenciaram que as células da medula óssea de animais desnutridos, apresentam redução na expressão de CD 45, CD34, CD38, CD117, TER 119 e CD71. As populações linfoides também foram afetados pela desnutrição, destacando-se a depleção de células linfóides primitivas e maturas. Além disso, foi verificado que animais desnutridos apresentam menor produção de células sob ação e estímulo de fatores de crescimento externo, nos ensaios de CL e CSS. A análise morfológica revelou redução no número de células viáveis e de progenitores granulo-monocíticos e eritróide, sugerindo alterações intrínsecas nestas células. Os resultados obtidos tanto com PCNA e AgNOR em amostras da medula óssea foram similares: os animais desnutridos apresentaram menor número de células em atividade proliferativa. O presente trabalho sugere proliferação celular medular reduzida na desnutrição protéica, ocasionando uma hipoplasia, principalmente do setor mielóide, decorrente da diminuição da existência de células primitivas e de progenitores bem como de sua capacidade proliferativa, da disfunção da ação regulatória de fatores de crescimento, de alterações nos receptores transmembrana e os mecanismos transducionais, modificações histológicas da MO e modificações dos componentes do microambiente e da relação arquitetural desse microambiente. |