Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2023 |
Autor(a) principal: |
Barbosa, Luciana Mendonça |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5138/tde-09052023-161449/
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Resumo: |
Introdução: Os escassos conhecimentos sobre mecanismos envolvidos na dor neuropática central (DNC), a qual impacta a qualidade de vida e reabilitação dos pacientes, são barreiras para otimizar o seu tratamento. Descrever e correlacionar descritores de dor, alterações somatossensoriais e parâmetros neurofisiológicos através de estudo controlado incluindo pacientes com lesões semelhantes, com dor não neuropática e sem dor crônica, contribuiria para diferenciar características típicas da DNC, das relacionadas a outras dores crônicas ou à lesão central. Métodos: Para identificar características da DNC pós-AVC (DNC-AVC), compararam-se 39 pacientes com DNC-AVC, através de exame clínico, questionários e teste quantitativo de sensibilidade, com dois grupos de controle pareados por sexo, idade e macrorregião do AVC: 32 pacientes com dor pós-AVC não neuropática e 31 pacientes com AVC sem dor crônica. Para avaliar se diferentes etiologias ou topografias das lesões influenciariam a manifestação da DNC, compararam-se as relações entre os sintomas e alterações somatossensoriais entre pacientes com diferentes tipos de lesões no sistema nervoso central: DNC-AVC (n=39) e lesão medular na neuromielite óptica em remissão (DNC-LM, n=40). Além disso, para descrever alterações neurofisiológicas na DNC, comparou-se a excitabilidade cortical (EC) na DNC-AVC (n=35) e na DNC-LM (n=39) àqueles com lesão central e dor não neuropática (n=43) e sem dor crônica (n=46), pareados por sexo e localização da lesão. Resultados: Os pacientes com DNC-AVC apresentaram mais dor em queimação, formigamento e evocada, além de mais alodinia e hiperpatia com maiores níveis de desaferentação (p<0,012) e limiares de detecção de frio e quente mais assimétricos em relação aos controles (p<0,001). A razão de chances da hipoestesia térmica ao frio foi 12,0 (IC 95%: 3,841,6) para dor neuropática. A combinação de hipoestesia térmica ao frio, a pontuação no Inventário de Sintomas de Dor Neuropática e a intensidade da alodinia no exame à beira do leito explicaram 77% da ocorrência de dor neuropática. Quanto à manifestação clínica em topografias diferentes, DNC-AVC apresentou menor diferença entre detecção e dor ao frio (5,6 °C (0,012,9)) vs. DNC-LM (20,0 °C (4,222,9);p =0,004) e maior dor evocada e paroxística, p<0,001. DNC-LM apresentou limiares de dor mecânica mais altos (784,5mN (255,01078,0)) vs. DNC-AVC (235,2 mN (81,41078,0)), p=0,006. No estudo de EC, DNC apresentou amplitudes de potencial evocado motor (PEM) menores (366,8±464,1), comparadas a dor não neuropática (478,6±489,4) e sem dor (765,8±880,0), p<0,001, e inibição intracortical de intervalo curto (ICIC) defeituosa (2,6±11,6) vs. grupo sem dor (0,8±0,7), p=0,021. DNC-AVC apresentou PEM reduzido nos dois hemisférios e correlação negativa com alodinia. Discussão: Esses achados fornecem relações clínico-psicofísicas na DNC e podem auxiliar na distinção da DNC-AVC da dor não neuropática na prática clínica e em estudos futuros. Adicionalmente, a DNC variou de acordo com a topografia ou etiologia da lesão, podendo afetar futuras escolhas de tratamento baseadas em mecanismos. A EC evidenciou redução do PEM e da ICIC na DNC, fornecendo visão indireta de alterações plásticas globais que ocorrem após lesões centrais e cursam com DNC, sendo uma perspectiva de marcador neurofisiológico |