Uso do biofilme perifítico em testes ecotoxicológicos: uma abordagem ecológica da contaminação em reservatórios

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Sousa, Mariana Lopes de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41134/tde-06112019-105208/
Resumo: O perifíton é uma comunidade complexa e de grande importância para os ecossistemas aquáticos. Seu papel de produtor primário, aliado a sua capacidade de reter nutrientes ou contaminantes presentes na coluna d\'água o torna um bioindicador de potencial único para estudos ambientais. Especialmente no caso de reservatórios urbanos, que possuem múltiplas fontes de contaminação, compreender como essas substâncias afetam a biota e a qualidade da água é essencial. Por isso, é relevante o desenvolvimento de testes ecotoxicológicos utilizando a comunidade perifítica. Neste trabalho foi desenvolvida uma metodologia para cultivo do perifíton em laboratório, através de tanques de cultivo, visando seu uso em testes ecotoxicológicos para o monitoramento de ambientes aquáticos. O biofilme cultivado também foi testado com diferentes contaminantes encontrados em reservatórios: metais (Cu principalmente) e cafeína, buscando identificar os impactos desses contaminantes tanto nessa comunidade como em seus consumidores. Foi observado que o método proposto foi capaz de criar um biofilme perifítico funcional, com todos os principais grupos presentes na comunidade utilizada como inóculo e homogeneamente distribuída no substrato artificial utilizado. Entretanto foram observadas diferenças em relação ao inóculo, como menor diversidade e menor massa seca livre de cinzas, resultantes da adaptação da comunidade para o cultivo laboratorial. O preço final do sistema é competitivo com outras metodologias já utilizadas, com a vantagem de possuir fácil montagem e operação. Em relação às respostas da comunidade perifítica, foi observado que a presença de metais, em especial o cobre, resultou em impactos estruturais e fisiológicos na comunidade. Em geral a contaminação gerou alterações na produção de biomassa e menor ponto de saturação luminosa, um indicador do comportamento fotossintético. Além disso, foi possível constatar bioacumulação de diferentes metais (Cu, Ni e Mn), bem como de cafeína, um composto orgânico. Ecologicamente, o grupo de algas mais afetado pelos contaminantes em geral foi o das Chlorophyceae, enquanto as cianobactérias apresentaram maior adaptação tanto às condições de cultivo quanto aos contaminantes utilizados. No caso da contaminação por cafeína em especial, as diatomáceas também se mostraram bem adaptadas. Nas maiores concentrações de contaminantes utilizadas, em geral, foi observado menor número de espécies descritoras e diversidade. Portanto, pode-se dizer que a metodologia de tanques desenvolvida e o teste toxicológico aplicado foram satisfatórios em trazer novos dados para a compreensão do funcionamento de ecossistemas aquáticos contaminados