Implicações para o estudo da força de trabalho familiar entre os grupos de baixa renda na agricultura

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 1981
Autor(a) principal: Araujo, Tania Barbosa Cabral de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6135/tde-08072025-155334/
Resumo: Objetivou-se nesse trabalho caracterizar uma amostra das famílias de pequenos proprietários e parceiros, da área rural do Município de Canindé-Ceará, no que se refere a parentesco, às condições de sobrevivência e trabalho, analisando possíveis relações entre o regime de posse e exploração da terra e o comportamento da força trabalhadora familiar. Foram analisadas algumas propostas teóricas para estudos da Força Trabalhadora e das Famílias em países desenvolvidos e subdesenvolvidos, através da revisão da bibliografia considerada pertinente e acessível. Como referência para o exame da situação particular das famílias de baixa renda do meio rural de Canindé-Ceará, foram tomados os dados colhidos naquele Município pela pesquisa sobre Alternativas de Desenvolvimento para os Grupos de Baixa Renda na Agricultura Brasileira\". Essa pesquisa foi aplicada em três regiões brasileiras: Zona da Mata e Campos das Vertentes em Minas Gerais, Vale da Ribeira em São Paulo e Sertões de Canindé, Ceará, e teve o copatrocínio da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias, EMBRAPA, e diversas Instituições Universitárias, entre elas a Universidade de são Paulo, através da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz e do Instituto de Pesquisas Econômicas, IPE, a quem coube a coordenação do projeto. Foram aplicadas nas três regiões, entrevistas em três anos consecutivos: 1973, 1974 e 1975. Porém, a maior parte dos dados referentes a Canindé, analisados nesse trabalho, são da primeira entrevista pois, infelizmente, nem todas as indagações consideradas pertinentes foram repetidas nas entrevistas subseqüentes. O trabalho é desenvolvido em seis capítulos. O primeiro, faz o levantamento de algumas perspectivas teóricas que servem de base a estudos de Família e de Força de Trabalho, discutindo a adequação conceitual e estatística de tal instrumental metodológico para investigações similares em países subdesenvolvidos. O segundo informa sobre a pesquisa \"Alternativas de Desenvolvimento para os Grupos de Baixa Renda na Agricultura Brasileira\". O terceiro estabelece os objetivos do trabalho e seus limites. O quarto ordena e comenta dados censitários do Município de Canindé-Ceará. O quinto discute a abordagem feita pela pesquisa empírica e comenta as informações obtidas a respeito das famílias da amostra, suas condições de vida e trabalho. O sexto discute o fenômeno da expansão da pobreza na agricultura brasileira procurando desvendar as diversas faces dessa complexa questão. Além de algumas recomendações especificas a respeito de Canindé, a autora conclui que: A pobreza rural, apesar de freqüentemente (mas nem sempre!) assumir maior intensidade que a pobreza urbana, não pode ser examinada como como uma questão isolada. As causas geradoras ou agravadoras da pobreza no Brasil devem ser buscadas entre os mecanismos de sustentação do sistema capitalista-industrial em seu processo atípico de crescente acumulação de renda e poder. Segue-se daí que medidas e programas regionais para grupos de baixa renda específicos, sejam do meio rural ou urbano, não devem obscurecer a urgência de medidas redistributivas globais tais como a Reforma Agrária ou a reformulação do Sistema Tributário de forma a permitir uma distribuição mais equânime da renda nacional. Recomenda ainda que os programas de criação de empregos levem em consideração, além do fator migração, outros aspectos de relevância no processo de inserção dos contingentes economicamente marginalizados na Força Trabalhadora tais como: níveis salariais dignos e, sobretudo, condições de estabilidade no emprego o que poderia vir a permitir real melhora da qualidade de vida das famílias de baixa renda.