EducAção: ações intersetoriais em prol da saúde mental infantojuvenil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Silva, Carolina Donato da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-02092019-081656/
Resumo: Introdução: Em maio de 2016, o CAPS Infantojuvenil II Campo Limpo deu início a um espaço de Matriciamento especifico para escolas. A meta fora a de favorecer a aproximação dos núcleos de saúde mental e de educação. Nesse âmbito promoveramse reuniões mensais para conversar sobre os casos, matriculados nas escolas da região, que eram atendidos no serviço, dando origem ao que se constituiu como o Programa EduAção. Ao longo desse processo, surgiu então a necessidade de avaliar se esse espaço havia se tornado um lugar de formação permanente para os educadores, o que veio então a se constituir como objeto de interesse da presente investigação. Objetivo: analisar a formação permanente de professores no âmbito de um programa desenvolvido em um equipamento de saúde mental infantojuvenil, visando a integração saúde mental e educação: o Programa EducAção. Métodos: Por meio de grupos focais, convidamos os professores que frequentaram as reuniões do referido programa a participar da avaliação. Para o tratamento analítico dos dados foi utilizado o método de análise de conteúdo temática. Resultados: foi possível constatar que o espaço foi considerado como um lugar de formação permanente. Entretanto, a análise propiciou o entendimento além daquele pretendido no escopo do trabalho, posto que se percebeu que o espaço estudado transcendeu seu objetivo inicial assumindo também a função de um lugar de cuidado, escuta e acolhimento para os professores. Por se sentirem cuidados pela equipe do CAPSij, os professores foram capazes de cuidar, ouvir e significar o sofrimento de crianças e jovens que tinham em seu percurso escolar, repetidas experiências ligadas às dificuldades de aprendizagem, socialização ou interação, apresentando sofrimento psíquico grave, e por isso, serem acompanhadas no CAPSij. Conclusão: com esse estudo pudemos concluir que os educadores que se vêem frente a situações desafiadoras em seu cotidiano demandam troca de informação com os alunos que são atendidos no CAPSij, e também de referências a respeito dos transtornos mentais, autismo, déficit de atenção, etc. Contudo, notamos que para além dos dados, os professores precisam de um lugar que acolha o seu sofrimento. Sofrimento esse relacionado a ter em suas mãos uma sala com muitos estudantes que, em decorrência de suas dificuldades específicas, não prestam atenção; violam as regras; não obedecem, não aprendem. Em face disso, eles demandam cuidado para conseguirem cuidar. Precisam ser incluídos para favorecer espaços inclusivos. Podemos assim dizer que o espaço se revelou como um lugar que, além de estimular o encontro entre as equipes de saúde mental e educação, constituiu em si um trabalho intersetorial em prol da saúde mental infantojuvenil, ações compartilhadas que consideram os dois lados, o do aluno e o do professor. Faz-se necessário escutar os professores para que eles possam escutar seus alunos.