Sistemas agroflorestais como modelo de conservação e produção para auxiliar as iniciativas de restauração florestal

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Derisso, Vitoria Duarte
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11150/tde-21032023-173018/
Resumo: Diante das consequências drásticas da substituição de florestas naturais por outros usos de solos, faz-se necessária elaborar estratégias de conservação e ações restaurativas em paisagens modificadas pelo homem que utilizem modelos produtivos capazes de prover benefícios ecológicos e socioeconômicos, como os sistemas agroflorestais (SAFs). No Brasil, os SAFs são usados para recompor a vegetação da Reserva Legal (RL) e Áreas de Preservação Permanente (APP) e, no estado de São Paulo, devem estar em conformidade com a Resolução nº SMA 189/2018 e com o protocolo de monitoramento estabelecido pela Portaria CFB nº 07. Sabe-se que a forma de manejar esses sistemas são determinantes para conciliar os benefícios ecológicos e socioeconômicos, porém o conhecimento atual de como conciliá-los ainda é limitado e controverso, além disso, é preciso avaliar a eficácia da SMA 189/2018 e do protocolo de monitoramento. Assim, os objetivos gerais dessa dissertação foram (I) avaliar o efeito da intensidade de manejo na produção de café e nos indicadores ecológicos e (II) analisar se SAFs de diferentes classes de idade da região do Pontal do Paranapanema (SP) atingem os valores de referência dos indicadores de monitoramento de SAFs em APP e RL, conforme a Resolução SMA 189/2018. Foram avaliadas áreas de SAFs de café sombreado intermediários (5-7 anos) e antigos (15-20 anos) localizadas em assentamentos rurais na região do Pontal do Paranapanema (SP) e áreas de floresta conservada. Primeiro, em parcelas de 900 m2, coletamos valores de cobertura de copa (%), indicadores ecológicos (biomassa acima do solo, riqueza de espécies arbóreas, densidade de indivíduos arbóreos e regenerantes naturais) e, através de entrevistas, obtivemos informações sobre as práticas de manejo e produção de café (kg.ha-1). Analisamos a relação entre a intensidade de manejo com a produção de café e com os indicadores ecológicos e a relação entre produção de café com os indicadores ecológicos, através de correlações multivariadas. Aplicando o protocolo de monitoramento de SAFs em APP e RL, avaliamos as mesmas áreas de SAFs através dos indicadores selecionados conforme a Resolução (riqueza de espécies nativas, densidade de indivíduos arbóreos e de regenerantes nativos, cobertura de copa e solo) e comparamos as médias dos resultados encontrados com os valores de referência. Nossos resultados mostraram que a intensidade de manejo afetou diretamente a produção de café, porém não impactou os indicadores ecológicos. Também não identificamos trade-off entre produção de café e indicadores ecológicos. Mostramos que os SAFs estudados cumprem papel importante na manutenção de biodiversidade e benefícios ecológicos no Pontal do Paranapanema e seu modelo de implantação poderia servir de exemplo para novos projetos que visem o uso de SAFs biodiversos e agroecológicos para recobrir RL e APP. De forma geral, observamos que a forma de manejar os sistemas agroflorestais através de práticas como a poda e limpeza do chão devem ser considerados tanto para garantir e/ou melhorar a produção de café quanto para atender os valores de referência do ANEXO V da Resolução SMA 189/2018.