Avaliação do comportamento emocional de ratos com endotoxemia mantidos em ambiente enriquecido

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Ferreira, José Henrique Alves
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59134/tde-23032022-073622/
Resumo: O comportamento de doença é um conjunto de alterações comportamentais adaptativas que preparam o organismo para lidar com infecções virais e bacterianas desencadeadas no sistema nervoso central pela ação de citocinas pró-inflamatórias. Esse conjunto de mudanças incluem aumento na temperatura corporal, atividade motora e exploratória reduzida e comportamento semelhante à ansiedade. Estudos mostram que o enriquecimento ambiental (AE) pode alterar respostas emocionais e nociceptivas em indivíduos saudáveis, mas ainda não há estudos com indivíduos que passam por uma infeção. O objetivo deste estudo foi investigar se o AE altera o comportamento semelhante à ansiedade induzido por endotoxina bacteriana (Lipopolissacarídeos, LPS). Para isso, ratos Wistar Hannover, machos e adultos (CEUA-USP # 18.1.1630.59.7) foram mantidos por aproximadamente 5 semanas em ambiente padrão (AP) ou enriquecido (AE). No 38º dia experimental, os ratos foram submetidos à administração de LPS (200 µg/kg) ou salina estéril (SAL 0,9%) via ip. A temperatura corporal foi avaliada pela temperatura da cauda (TC), antes e a cada 30 min, durante 180 minutos após os tratamentos. O comportamento emocional foi analisado no labirinto em cruz elevado (LCE) e pelo teste de vocalização ultrassônica (VUS). A atividade motora foi avaliada pelo teste rotarod e campo aberto 3 h após a injeção de LPS ou SAL. A ANOVA foi utilizada para avaliação estatística, seguida pelo teste de Tukey ou Bonferroni (p < 0,05). No término dos experimentos, os animais foram submetidos à eutanásia por meio de sobredose anestésica com cloridrato de cetamina 10% (225 mg/kg) e cloridrato de xilazina 2% (30 mg/kg) via i.p., sendo o encéfalo e sangue coletados para posterior análise imunoistoquímica e dosagem de citocinas, respectivamente. Os resultados mostraram redução da TC após 120 min da injeção de LPS (teste de Tukey; p < 0,05), o que indica estado febril independente do tipo de ambiente em que os animais foram mantidos (AP+LPS e AE+LPS). Em um grupo independente foi realizada a dosagem de citocinas plasmáticas, no qual foi constatado que a administração de LPS induziu aumento das citocinas TNF-&alpha;, IL-1&beta; e IL-6 quando comparado com os grupos controle que receberam SAL, independente do tipo de ambiente em que foram mantidos. Quando observamos TNF-&alpha;, observamos os grupos que foram submetidos a administração de LPS, observamos que os animais que foram mantidos no AE apresentaram uma menor produção desta citocina, o que demonstra uma menor resposta inflamatória quando comparado com aqueles mantidos em AP. A análise comportamental mostra que o LPS induziu comportamento semelhante à ansiedade independente do ambiente, uma vez que o número de entradas nos braços abertos no teste LCE foi reduzido no grupo AP+LPS, bem como no AE+LPS quando comparado com AP+SAL e AE+SAL (p < 0,05, Tukey). Além disso, observou-se redução do número de entradas nos braços abertos (BA), do comportamento de avaliação de risco e do mergulho de cabeça dos animais que receberam o LPS. A aplicação da ANOVA revelou que há diferença significativa considerando o número de entradas nos BA quando comparados os grupos LPS com os respectivos grupos controles (AP/SAL e AE/SAL). Com relação ao teste do campo aberto, a análise da atividade locomotora (número total de quadrados percorridos no tempo de 5 min) mostra que há diminuição do número de quadrados percorridos nos grupos LPS. No teste do rotarod, a administração de LPS promoveu redução do tempo de permanência no teste nos animais mantidos em AP. Entretanto, os animais mantidos em AE, a endotoxemia não promoveu alteração no parâmetro analisado. Quanto à VUS, os dados mostram que a administração do LPS induz a vocalização na frequência compreendia entre 18-33KHz, considerada aversiva e indicativo da presença de altos níveis de ansiedade e medo. Destaca-se que o grupo mantido em AE observou-se redução da emissão da VUS na faixa aversiva, mas não diferiu do grupos AP/LPS. A análise da expressão da proteína FOS (c-fos), evidencia que a administração de LPS promove maior marcação de células imunopositivas na região basolateral da amígdala de animais mantidos em AP do que a observada em animais mantidos em AE, mesmo que ainda não seja encontrada diferença estatística (p > 0,05) quando comparado com grupos que receberam SAL. Os resultados deste estudo permitem concluir que o ambiente enriquecido atenua parcialmente as respostas relacionadas à ansiedade em decorrência da inflamação sistêmica promovida pela administração de LPS. Entretanto, destaca-se que o enriquecimento ambiental não interfere com a resposta febril ou imunológica associada à endotoxemia.