Entre excluídos e herdeiros: representações sobre avaliação, ensino e aprendizagens de estudantes e professores de uma escola pública paulista

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Dias, João Carvalho
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48140/tde-18062021-103638/
Resumo: Desde a metade do século XIX, as instituições escolares do mundo todo assumiram um processo de expansão, consolidando, dessa forma, a chamada escola de massas. Há, seguramente, um discurso comum de que a educação tem um papel fundamental na vida dos indivíduos e na construção de uma sociedade mais justa e democrática. O sociólogo francês Pierre Bourdieu desenvolveu análises sobre como a escola opera em seu interior, buscando compreender os mecanismos que a instituição escolar utiliza para que a promessa de ascensão - a partir do esforço próprio e da inteligência - não se universalize. O argumento central que norteia a percepção de Bourdieu acerca das dificuldades de algumas crianças em avançar na carreira escolar se apresenta na ideia de capital cultural. A posse de capital cultural reconhecido pela escola favoreceria o desempenho escolar na medida em que facilitaria a aprendizagem dos conteúdos e códigos escolares. Este trabalho buscou compreender as relações entre avaliação, ensino e aprendizagens, no âmbito do ensino médio de uma escola pública estadual de São Paulo, levando em consideração as representações de alunos e professores à luz das produções de Pierre Bourdieu. Para isso, a investigação se valeu de diferentes fontes de pesquisa: observações em salas de aula, questionários e entrevistas. Os estudantes foram agrupados de acordo com seus sucessos ou fracassos em suas trajetórias escolares e as informações sobre o capital cultural, e as representações sobre avaliação, ensino e aprendizagens obtidas através dos questionários e entrevistas - foram relacionadas. As análises possibilitaram perceber que os alunos que possuem capital cultural mais próximo daquele que a instituição escolar considera legítimo possuíam maior compreensão sobre os critérios de avaliação realizada por seus professores, maior entendimento sobre os objetivos e a organização dos planos de ensino dos docentes, e concepções acerca do processo avaliativo que abrangem outras dimensões que superam as provas respondidas ao fim de um tratamento pedagógico, por exemplo. Essas percepções se refletem em seus resultados e nas formas de agir e pensar acerca dos processos avaliativos. Esse modo de reprodução cultural e social operado pela escola a partir da exigência de um capital prévio reflete diretamente nos processos de aprendizagens dos estudantes e nas apreciações dos professores e são observadas, com clareza, nos discursos distintos dos alunos entrevistados. Para Bourdieu, a escola assume assim práticas de exclusão revestidas de um caráter brando, isto é, são imperceptíveis, graduais e sutís, tanto para aqueles que as exercem quanto para aqueles que são suas vítimas. Ainda que a pesquisa não apresente os verdadeiros Herdeiros retratados por Bourdieu em suas produções e anunciados no título deste trabalho, há aqui a intencionalidade de demonstrar como o imaginário e a crença na conquista da herança cultural que permitiria uma ascensão social a partir da escola democrática pelas classes mais desfavorecidas tornam-se, ao final do processo de escolarização, um engodo e uma decepção.