O mapa é de fragmentos de um espelho no chão do mundo: amizades, africanidades e identidades na Estrada Negra de Grotowski ao Workcenter

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Jesus, Luciano Mendes de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
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Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27162/tde-03072024-151922/
Resumo: Nesta tese abordamos as relações étnico-raciais no contexto do percurso de pesquisa e criação do projeto pós-teatral de Jerzy Grotowski e sua continuação através da proposta do Workcenter of Jerzy Grotowski and Thomas Richards. O objetivo de pensar sobre estas relações é a identificação dos diálogos que permearam os contatos intersubjetivos em termos da etno-racialidade nesta longa investigação continuada no campo das artes performativas, que cobre uma curva temporal que vai desde o projeto denominado Teatro das Fontes, em 1976, até o encerramento das atividades do Workcenter em 2022. Observamos estas interlocuções a partir do parâmetro das políticas de inimizade, termo concebido por Achille Mbembe, contrastando-as com a prática opositiva de políticas de amizade no ambiente crítico e criticado do grupo de trabalho intercultural e das poéticas transculturais que caracterizaram o projeto grotowskiano. Colocamos em primeiro plano as visões e escutas de colaboradores afrodescendentes e os aspectos epistêmicos africano-diaspóricos (princípios filosóficos, tecnologias performativas, fontes textuais) que ajudaram a fundamentar e consolidar esta obra artístico-investigativa, mas que foram pouco consideradas nos discursos elaborados pelo binômio Grotowski-Workcenter e em pesquisas acadêmicas sobre o mesmo, desde o contato de Grotowski com a cultura do vodou haitiano na década de 1970 até as produções performativas do Workcenter ao longo das primeiras duas décadas do século 21. Buscamos assim, numa longa viagem entre tempos e espaços, destacar a presença, influência, ausência, opacificações e apagamentos de negritudes de artistas, formas e conceitos que constituem também o corpo dessa obra artística. Também buscamos dar contornos através desta obra ao que estamos compreendendo como o princípio de uma poética diaspórica expandida nas artes da cena, ou seja, um processo artístico que a partir da afro-referenciação estabelece o encontro e a relação criativa no contato das diferenças etno-culturais. Como fator integrador das duas instâncias - relações étnico-raciais no projeto intercultural do contínuo Grotowski-Workcenter e manifestações de africanidades e negritudes em sua constituição - realizamos uma autoetnografia sob a forma de uma dramaturgia de experiências pessoais na qual analisamos nosso processo de construção de identidade afrodescendente durante o período de mobilidade internacional como performer no Workcenter of Jerzy Grotowski and Thomas Richards, em relação às vivências de racismo trazidas pelas estruturas institucionais (consulados, alfândegas, polícias) e que perpassaram o próprio grupo de trabalho.