Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2009 |
Autor(a) principal: |
Barros Junior, Antonio Carlos de |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-25112009-095418/
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Resumo: |
O capitalismo e o mundo do trabalho vêm sofrendo transformações profundas desde a década de 1970. A pesquisa aqui descrita é uma investigação da relação inconsciente entre o sujeito e a configuração atual do capitalismo, no contexto de uma empresa multinacional do ramo hoteleiro. O método adotado foi qualitativo, sendo um estudo de psicanálise aplicada sobre a articulação fantasmática e institucional de prazer, sofrimento e gozo na empresa em questão: 1) pela análise do discurso produzido em entrevistas abertas com 6 de seus funcionários que trabalham em 4 hotéis da rede, localizados em São Paulo capital e em Campinas, realizadas entre outubro de 2007 e novembro de 2008; 2) pela análise de material impresso e on-line da empresa; 3) por um breve recorte sócio-histórico do capitalismo. Uma das conclusões a que chegamos é a de que os fundamentos de uma empresa comercial permanecem os mesmos, mas mudaram os mecanismos e os discursos adotados na sua execução. Agora, entidades abstratas externas a globalização, a competitividade, o mercado supostamente justificam a intensificação da apropriação do que é produzido, do conhecimento, do tempo dos funcionários; justificam a necessidade imperiosa de excelência produtiva, de lucros sempre crescentes; justificam as reestruturações, a adoção de políticas de verificação de competências e demissões. No caso analisado, a velha empresa-mãe, subjetiva nas escolhas, lenta nas decisões, está sendo substituída pela nova empresa objetiva e rápida nas escolhas dos que estão aptos e na implementação de mudanças que os resultados exigem. Mas isso tem sido feito mantendo-se a velha roupagem da mãe-protetora, num discurso quase uníssono sobre um laço social supostamente em grande harmonia, tanto na documentação oficial da empresa, quanto na fala de seus funcionários, da eleita mais de 10 vezes como uma das 10 melhores empresas para se trabalhar no Brasil; da que se preocupa com os filhos-funcionários, que oferece a eles muitas oportunidades de carreira. Entretanto, delineiam-se impasses e contradições nos discursos, que parecem oscilar entre o neurótico e o perverso. Porém, a faceta perversa fica, em geral, elidida. Perversa em termos de fantasia e vontade de gozo, na relação com o outro, no caso dos sujeitos, e, no caso da empresa, dos objetivos de lucratividade acima de qualquer preocupação com funcionários, de qualquer responsabilidade social ou de diversidade supostamente valorizada. Além disso, as questões pessoais de todos os 5 sujeitos ouvidos estão ligadas às questões centrais que permeiam a instituição. Questões que se referem ao lugar que cada um ocupa para o outro ser ou não ser reconhecido, ser ou não ser promovido, ser ou não ser demitido, ver ou não ver o outro ganhar uma oportunidade de carreira. |