Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2023 |
Autor(a) principal: |
Silva, Petter Maahs da |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48139/tde-21032023-111106/
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Resumo: |
Esta pesquisa, de natureza qualitativa e cunho etnográfico, buscou compreender, a partir dos determinantes políticos e sociais que orientam a organização do trabalho dos professores, a resistência docente à participação comunitária na gestão da escola. O objetivo geral da pesquisa foi compreender por que os educadores, a despeito do discurso francamente favorável à participação comunitária na escola, eram, na prática, refratários a qualquer tipo de intervenção. A análise da estrutura organizativa, do processo de trabalho docente e das relações concretas entre professores e comunidade, em uma escola pública municipal da periferia da cidade de São Paulo, demonstrou que o controle sobre o processo de trabalho o conteúdo, o ritmo/volume e o local de trabalho era uma prioridade para os educadores. O controle sobre o processo de trabalho permitia que os professores preservassem sua qualidade de vida individual, compensando a falta de infraestrutura de trabalho, em detrimento das metas universais de cidadania e do direito à educação. Também possibilitava manter a ética artesanal do ofício e, ao mesmo tempo, preservar o status profissional. Para atingir seus objetivos, os professores isolavam a escola e negociavam com o Estado. Ao resistirem à perda de controle sobre o processo de trabalho, os professores contribuíam para tornar a escola impermeável à participação comunitária. Mas essa contribuição não era fruto da vontade autônoma dos professores, pois o que norteava suas ações eram seus interesses imediatos, como costuma acontecer com qualquer categoria profissional. Além disso, o desconhecimento da especificidade do trabalho pedagógico, por parte dos formuladores de políticas públicas em educação, contribuía para a reação corporativista do magistério, baseada na tradição associativa e no movimento sindical operário. Conclui-se que a intensificação do controle sobre o trabalho dos professores tende a afastá-los da comunidade. Assim, atender às necessidades imediatas dos professores e adequar a gestão do ensino às especificidades do trabalho pedagógico constitui um passo determinante para aproximar professores e comunidades, desfazendo os constrangimentos institucionais que impedem o estabelecimento de um diálogo construtivo entre essas duas instâncias de socialização infantil. |