Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2022 |
Autor(a) principal: |
Anater, Mônica Joelma do Nascimento |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/106/106131/tde-19122022-205835/
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Resumo: |
O Brasil é o maior produtor mundial de carvão vegetal, utilizado majoritariamente no setor industrial e residencial. No setor industrial, é o único país que utiliza o carvão vegetal em larga escala para produção de ferro-gusa e aço. No setor residencial, seu uso está relacionado a particularidades de cada região. Historicamente, a produção de carvão vegetal esteve associada ao desmatamento ilegal de florestas nativas, condições degradantes de trabalho e de vida dos trabalhadores, uso de fornos de baixo rendimento e pelo baixo nível de inovações tecnológicas do setor. Entretanto, nos últimos anos, há evidências de modificação deste cenário, com preferência por matéria-prima de origem plantada, fornos com rendimentos superiores e melhores condições de trabalho. Porém, sabe-se que parte significativa da produção ainda é feita de forma tradicional, principalmente por pequenos produtores, que em geral, não possuem acesso às condições para melhoria do sistema produtivo. Esses fatores contribuem para a produção do carvão vegetal de baixa qualidade, que é em geral direcionado ao uso residencial. Diante deste contexto, o objetivo desta pesquisa foi avaliar o desempenho energético e ambiental da produção de carvão vegetal dedicado ao setor residencial brasileiro. A partir do levantamento de dados secundários e aplicação da metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), foram verificados os principais impactos da produção de carvão vegetal em duas diferentes rotas: Rota 1 que realiza produção de carvão vegetal a partir de madeira de desmatamento ilegal e forno do tipo rabo-quente e, Rota 2 que produz o carvão vegetal a partir de plantações florestais em áreas degradadas com uso de forno com fornalha, que permite a queima prévia dos gases oriundos do processo de carbonização. A Rota 1 é típica de sistemas ilegais e/ou expansão de terras com pastagem para criação animal, principalmente na Amazônia Legal. A Rota 2 é apontada como uma das alternativas promissoras no cenário atual, pois possibilita a recuperação de áreas degradadas para a produção de florestas plantadas. Como principais resultados, foi verificado que, devido à falta de rastreabilidade do setor, não é possível garantir a origem florestal da lenha utilizada para a produção de carvão vegetal. Além disso, verifica-se que o uso do biocombustível está relacionado a especificidades de cada região brasileira, onde estudos expõem que, em geral, o combustível possui baixa qualidade para uso residencial. Por fim, no estudo de ACV, foi verificado que a produção de carvão vegetal na Rota 2 (aperfeiçoada) teve melhor desempenho em todas as categorias de impacto analisadas (mudanças climáticas, acidificação, eutrofização, toxicidade humana, ecotoxicidade terrestre e oxidação fotoquímica), como esperado. A partir desses resultados, foi possível concluir que o aproveitamento de terras degradadas para plantações florestais, é uma estratégia viável ambiental e economicamente, por proporcionar o suprimento da demanda por lenha ao passo que diminui a pressão sob florestas nativas. Fomentar políticas públicas, garantir a fiscalização e investir na cadeia produtiva deste setor são ações que podem colaborar com as Contribuições Nacionais Determinadas firmadas pelo governo brasileiro no âmbito do Acordo de Paris. |