Normas e práticas promovidas pelo ensino de ciências por investigação: a constituição da sala de aula como comunidade de práticas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Nascimento, Luciana de Abreu
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-28112018-161119/
Resumo: Nesta pesquisa buscamos investigar e caracterizar normas e práticas culturais produzidas em aulas de Ciências organizadas pelo Ensino de Ciências por Investigação. Metodologicamente, o trabalho foi estruturado em duas etapas. Na primeira dessas, de cunho teórico, trazemos a articulação de referenciais que debatem o conceito de cultura; a discussão sobre cultura científica e sobre as normas sociais que organizam o processo de construção de conhecimento nas comunidades cientificas; e algumas implicações dessa discussão para o ensino de ciências. Dos estudos sobre cultura, aproximamo-nos de autores que trazem contribuições para pensá-la como maneiras de fazer socialmente construídas a partir dos repertórios disponíveis a um grupo, como práticas que se revestem de sentido nas ações cotidianas de sujeitos que lidam com as normas e empregam de forma criativa aquilo que recebem. Para pensar essas práticas no contexto do ensino de ciências, apresentamos algumas proposições sobre o ensino de ciências como prática que defendem que a disciplina de Ciências se organize em torno de dimensões conceituais, sociais, epistêmicas e materiais do trabalho científico, a fim de criar oportunidades para que os estudantes reconstruam e aprofundem suas ideias e explicações sobre o mundo natural, enquanto se engajam em processos simplificados de trabalho científico. Como uma possibilidade de promoção das quatro dimensões do trabalho científico em sala de aula, apontamos o Ensino de Ciências por Investigação que, em suas diferentes abordagens, preconiza que as atividades promovidas em sala de aula aproximem os estudantes de práticas investigativas. Na etapa empírica desta tese, apresentamos a análise qualitativa de três aulas de ciências que compõem a Sequência de Ensino Investigativa Navegação e Meio Ambiente, adotando como fontes de dados seu planejamento e o registro audiovisual de sua implementação em um 3º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública paulistana. Nessas aulas, buscamos evidências de quais normas culturais estavam vigentes e organizavam o processo de construção e apreciação de explicações para os problemas propostos nas atividades da sequência. Já para discussão das práticas, buscamos descrever operações realizadas pela professora e pelos estudantes que nos indicavam como, naquela sala, eram produzidas e partilhadas práticas similares às desenvolvidas pelos membros de comunidades científicas no processo de construção de conhecimento. Como resultado desta pesquisa, destacamos que no planejamento da sequência analisada existem orientações que abrangem as quatro dimensões propostas para o ensino de ciências como prática e que essas aparecem com maior ou menor enfoque, conforme os objetivos, procedimentos e exercícios de cada atividade. Destacamos, também, a identificação de uma relação entre a vigência de normas que garantem um processo de criticidade durante o enfrentamento dos problemas propostos e a experiência de práticas ligadas ao processo não só de comunicação, mas de avaliação e validação de explicações. Percebemos, ainda, que à medida em que os estudantes e sua professora se engajaram nas atividades, negociaram sentidos para os problemas propostos e adotaram o repertório disponibilizado pela sequência, puderam se constituir como uma comunidade de práticas.