Perfil epidemiológico do beribéri notificado de 2006 a 2008 no estado do Maranhão, Brasil e as ações de enfrentamento

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2010
Autor(a) principal: Padilha, Estela Maura
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7141/tde-13072010-081806/
Resumo: Introdução: Beribéri é uma doença causada pela deficiência de tiamina (vitamina B1) que, apesar de facilmente tratável, pode levar a óbito. Há pelo menos setenta anos não se tinha referência de surtos de beribéri no Brasil. Objetivo: Descrever o perfil epidemiológico dos casos de beribéri e óbitos notificados no Estado do Maranhão. Método: Estudo descritivo-retrospectivo que analisou 1.207 casos notificados de beribéri e 40 óbitos ocorridos no Maranhão no período de 2006 a 2008. As informações foram obtidas do banco de dados da Vigilância Epidemiológica e fichas de notificação. Resultados: Os casos distribuíram-se em 434 (36,0%) em 2006, 551 (45,6%) em 2007 e 222 (18,4%) em 2008. Afetou dois terços das Unidades Regionais de Saúde e 26,3% dos municípios localizados nas regiões centro-oeste, noroeste e sudoeste do Estado. As notificações foram maiores nos meses de março a agosto, com pico em junho. O coeficiente de incidência no período foi de 4,32/10.000 hab. Homens foram mais acometidos (81,9%), com concentração de casos na faixa etária de 20-40 anos (57,0%). Predominou a ocorrência do beribéri seco (84,6%) e o tempo decorrido entre os primeiros sintomas e a notificação foi inferior a três meses para dois terços dos casos. A hospitalização ocorreu para 50% dos casos em 2006, 30% em 2007 e 15% em 2008. O consumo de álcool foi referido por 53,2% dos acometidos em 2006, com proporção discretamente menor nos anos subseqüentes, e o hábito de fumar por cerca de um terço dos acometidos. Sintomas mais comuns foram: diminuição da força, dormência e edema das pernas, dificuldade para caminhar e dor na panturrilha. Em relação à escolaridade, constatou-se que mais da metade (57,2%) tinha quatro anos ou menos de estudo, dois terços (66,2%) desempenhava atividade laboral pesada e 72,9% tinham renda familiar inferior a um salário mínimo. Foram registrados 40 óbitos (3,3% do total de casos notificados) apenas em 2006, concentrados no mês de junho (61,9%) e distribuídos em 21 municípios (9,7%). A taxa de mortalidade para o Estado foi de 0,45/10.000 hab. Praticamente a totalidade dos óbitos ocorreu no sexo masculino (97,5%), sendo 72,5% na faixa etária de 20-30 anos. Para dois terços, o tempo decorrido entre os primeiros sintomas e a notificação foi inferior a três meses e a hospitalização ocorreu para 42,5%. Hábito de consumir álcool e fumar foi elevado entre aqueles que foram a óbito, 75,0% e 66,7%, respectivamente. Conclusão: O estudo se destaca por abranger análise de todas as notificações de beribéri do estado do Maranhão. Constatou-se que os casos e óbitos apresentaram distribuição espacial e temporal relacionado à realidade do estado. A ausência de óbitos em 2007 e 2008 e redução dos casos em 2008 sugerem efeitos positivos das ações de enfretamento governamentais implementadas. Esta avaliação descritiva é importante para nortear as atividades e áreas a serem priorizadas no planejamento das ações de combate, tanto no nível central (federal, estadual e municipal), como para os profissionais da atenção básica e especializada, no direcionamento de suas práticas. Os resultados contribuem também para o delineamento de outras pesquisas que possam auxiliar no estudo da determinação do beribéri no Brasil.