Sobre a produção e seleção de rainhas em diferentes fases do ciclo colonial em Epiponini (Vespidae: Polistinae)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2013
Autor(a) principal: Pizarro, Laura Elena Chavarría
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59131/tde-11092013-164956/
Resumo: As vespas da tribo Epiponini apresentam colônias com várias rainhas, cujo número varia durante o ciclo colonial. Nas colônias há inicialmente um número maior de rainhas, mas conforme o ciclo se desenvolve seu número diminui. Tem sido argumentado que nas colônias com indivíduos totipotentes pode haver conflitos de interesse entre rainhas e operárias. Neste contexto as operárias que são maioria poderiam ter uma vantagem para regular a produção de rainhas. Nos Epiponini o controle reprodutivo é feito possivelmente por sinalização química, que junto com posturas ritualizadas comunicam a presença da rainha na colônia. Como o processo de produção de rainhas é pouco conhecido, o objetivo deste trabalho foi estudar o comportamento de rainhas e operárias durante a fase de produção e seleção de modo a interpretar filogeneticamente as mudanças comportamentais entre as espécies. O estudo foi conduzido utilizando-se nove espécies de cinco gêneros: Chartergellus, Metapolybia, Protopolybia, Polybia, Brachygastra. Em cada colônia foram marcadas todas as rainhas, algumas operárias, e fêmeas recém-emergidas para realizar observações focais e filmagens dos comportamentos. Para promover a produção de rainhas foram feitos testes de remoção. Alguns dos comportamentos característicos das rainhas, e aqueles associados ao processo de seleção, tiveram sua origem interpretada filogeneticamente. O comportamento que melhor identifica as rainhas é o bending display I (BD1), um display de dominância feito das rainhas para as operárias, que foi basal para os Epiponini. O BD1 feito das operárias para as rainhas é uma apomorfía das operárias de Metapolybia. Outros comportamentos de teste entre rainhas surgiram independentemente em algumas espécies e poderiam estar relacionados com um aumento na complexidade das interações. Os testes das operárias estariam presentes no ancestral dos Epopinini indicando que elas controlam a seleção das rainhas. O comportamento de worker dance é utilizado principalmente pelas operarias dos clados de Polybia e Metapolybia para testar a capacidade reprodutiva das rainhas. Parece que os comportamentos ritualizados de dominância e de teste são utilizados como sinais honestos do potencial reprodutivo das fêmeas em vez de comportamentos agressivos. Em Metapolybia e Protopolybia exigua o BD1 é realizado com maior frequência após a eliminação da rainha e durante a seleção, diferente de Chartergellus e Protopolybia picteti onde não houve mudança. Em Chartergellus não houve um aumento dos displays, porque as fêmeas no geral não interagiam e a seleção é feita mediante a expulsão das rainhas. Em P. picteti nem todas as rainhas foram eliminadas. Em Metapolybia e Chartergellus no início do ciclo colonial há tolerância reprodutiva, e a eliminação das rainhas estimulou muitas fêmeas a ovipositar, mas o número eventualmente diminui. Este resultado mostra que a delimitação de casta poderia ser feita mediante algum tipo de sinalização química. Em Protopolybia há pouca redução do número de rainhas ao longo do ciclo e as intermediárias constantemente tentam botar ovos. Para as intermediárias é conveniente manter os ovários ativos para tentar atingir o status de rainha em uma nova colônia. A totipotência das fêmeas para desenvolver seus ovários é basal para os Epiponini. As operárias e intermediárias jovens, de idade intermediária e velhas podem desenvolver seus ovários diante da ausência da rainha. A flexibilidade é um traço muito importante nos Epiponini, uma vez que permite à população responder a situações adversas, mobilizando indivíduos a realizar diferentes tarefas segundo as necessidades da população.