Equipe de enfermagem e produção de cuidados a pessoas que sofrem do coração: uma cartografia

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Soares, Rosimeire Angela de Queiroz
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/83/83131/tde-12052017-113736/
Resumo: Esta pesquisa teve como objetivo cartografar a produção de cuidados da equipe de enfermagem a usuários que têm o coração em tratamento. Acreditando no trabalho em saúde como uma produção, fruto das interações entre profissionais e usuários, enfatizou-se o cuidado produzido nesses encontros, nas entrelinhas da assistência de enfermagem, no falar e no agir de seus protagonistas. O método escolhido foi o da cartografia, pela potência em acompanhar processos de produção de subjetividades, sob o referencial teórico da esquizoanálise, por suscitar movimentos de autoanálise dos coletivos. Emprestamos de Rosa (2001) o nome do cenário onde aconteceu a pesquisa, o Mutúm, que corresponde a uma unidade de internação médico-cirúrgica de um hospital especializado em doenças cardíacas e pulmonares do Estado de São Paulo. Nesta região específica do ambiente hospitalar, com suas especificidades e complexidades, foram acompanhados os habitantes (profissionais-pássaros e usuáriosplantas) numa atenção vibrátil e vibrante, com todos os sentidos aguçados, permitindo afetar e ser afetado, junto a esses atores em sua vida diária de cuidados, emoções e afecções. Para isto, os dispositivos utilizados foram o diário de campo, a observação participante e o fluxograma analisador. O diário de campo permitiu o registro e a análise reflexiva de cenas e fatos rastreados durante a pesquisa, numa atenção urgente de que nada escorresse pelas mãos da pesquisadora-cartógrafa. A observação participante possibilitou descobrir os mapas traçados pelos habitantes do Mutúm durante esse trajeto. Pelas lentes cartográficas de Miguilim (Rosa, 2001), avistaram-se os mapas de tecnologias, dobras e ruídos, de onde emergiram um cuidado subjetivo, criativo, permeado por múltiplas tecnologias, emoções, subjetividades, afetos, ressentimentos e potencialidades. Esta análise foi complementada pelo fluxograma, que atuou como máquina de fazer falar, possibilitando um movimento de reflexão, pessoal e conjunta dos profissionais-pássaros acerca do cuidado produzido aos usuários, permitindo surpresas e estranhamentos e um olhar sobre o território Rizoma. O território de produção de cuidado, como no Rizoma (Deleuze, Guattari, 2011), é dinâmico, permite múltiplas entradas, saídas, recortes, conexões, desconexões. Ao acompanhar seus habitantes, em linhas intensas, molares-fixas, moleculares-flexíveis e de fuga, percebese que, como usuários, eles se movimentam em muitas direções e sentidos, alguns entram, outros saem; uns só de passagem, outros passam e ficam na lembrança de todos, afetando-os. Pela multiplicidade de conexões, vislumbra-se a oportunidade de suscitar bons encontros, na produção de um cuidado ampliado, na potência de produzir vida e alívio em um local muitas vezes visto pela ótica da dor e do sofrimento. O fluxograma analisador, além de permitir traçar o território, atuou como potente ferramenta para suscitar a reflexão e autoanálise dos profissionais, provocando surpresas, conexões, movimento esquizoanalítico, aberto à diferença e a todo o tipo de devires, revelando uma equipe até então fragmentada, com o potencial de afetar-se em torno do cuidado de Buriti, um usuário-rizoma, articulando saberes e fazendo emergir a essência de uma produção de cuidado em equipe.