Saúde mental das mulheres negras brasileiras: uma revisão de escopo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Brito, Kelly Paula do Amaral
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22131/tde-05022024-151609/
Resumo: É categórico afirmar que, historicamente, as mulheres negras vivenciam a base da estrutura social. As especificidades das condições dessas mulheres estão estampadas em documentos e retratos estatísticos, revelando um cenário devastador que incide sobre todos os aspectos de suas vidas, da saúde, sobrevivência e moradia ao cárcere, violência e desemprego. Pelo exposto, pensar sobre saúde mental da mulher negra no Brasil demanda um aprofundamento nas entranhas do percurso histórico da formação social brasileira em correlação direta com a organização das sociedades de capitalismo central. A saúde mental é compreendida nesse texto enquanto termo e significado em disputa e movimento, e que corresponde a um vasto campo de alcance e que quando projetado numa direção emancipadora, gera revolta contra os mecanismos naturalizados hegemonicamente. Assim, este estudo objetivou mapear a produção científica nacional e internacional sobre a saúde mental das mulheres negras brasileiras, identificando lacunas e como o campo tem se apresentado. Para sua operacionalização, optou-se pela revisão de escopo que foi conduzida de acordo com a metodologia do Joanna Briggs Institute, com estratégias de busca completas para sete bases de dados e literatura de difícil alcance, a saber: BVS; Scielo; PubMed; Web Of Science; PsyInfo; Embase; Google Scholar e uma revista específica, a Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros. A pergunta que mobiliza esta revisão de escopo, formulada a partir da estratégia PCC, é: Qual a abrangência da produção científica sobre a saúde mental das mulheres negras brasileiras? Os dados demonstraram que as informações sobre a saúde mental das mulheres negras brasileiras são diversas e retratam, majoritariamente, as condições de mulheres negras residentes nas regiões Nordeste e Sudeste. Os resultados foram apresentados através de quatro categorias: Sofrimento psíquico, sobrecarga e saúde mental; Resistência e território; Sobre nós, mulheres negras; e Violência racial de gênero contra todas as mulheres negras. Conclui-se que as mulheres negras brasileiras, cotidiana, cíclica e intergeracionalmente têm a saúde mental exposta de maneira cruel por estarem envoltas à violência-racial-estrutural de gênero e classe.