Um novo pai, novas funções? Considerações sobre a relação pai-bebê no período da dependência absoluta

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2014
Autor(a) principal: Santos, Carine Valéria Mendes dos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-02062014-160149/
Resumo: Nas configurações familiares ao longo da história os lugares do pai, da mãe e da criança estiveram e ainda estão em constantes transformações. Durante muito tempo, o pai esteve distante dos aspectos referentes aos cuidados com os filhos e aos afazeres domésticos. A inserção do pai nesse contexto é um fenômeno atual e vem redefinindo novas formas de ser família. Em vista do surgimento de novos arranjos e funcionamentos familiares, nos quais o pai tem se permitido ser também um cuidador, foi possível pôr a relação pai-bebê em evidência. A partir de correlações entre a teoria do amadurecimento pessoal desenvolvida por Winnicott e a construção de um novo modelo de paternidade, pensou-se nas novidades trazidas por um pai mais participativo no que diz respeito às interações afetivas estabelecidas com o bebê. Esta pesquisa teve como objetivo investigar as formas de interação do pai como cuidador na provisão ambiental do bebê no período da dependência absoluta. Para tal finalidade, alguns pais foram acompanhados na maternidade do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo e em seus ambientes familiares. Através do método clínico-qualitativo, este estudo baseou seus achados nos dados construídos a partir dos seguintes instrumentos: transcrições das entrevistas pré e pós-nascimento (realizadas no último mês de gestação e no 3º mês de vida do bebê, respectivamente) e anotações em diários de campo provenientes das observações dos pais em momentos pré-natais no hospital e pós-natais em suas casas. A partir do que foi encontrado, a relação entre os pais participantes e seus respectivos bebês foi analisada no intuito de compreender: os referencias familiares anteriores provenientes das figuras parentais desses pais; a atualização e/ou transformação desses referenciais no exercício parental atual; a construção parental dos novos pais, bem como os processos de vinculação afetiva com o bebê ainda na barriga; os significados atribuídos a experiência de ser pai antes e depois do nascimento; as formas de interação entre o pai e o bebê na rotina de cuidados; a capacidade de reconhecimento das necessidades do bebê por parte dos pais; a constituição de novas funções paternas no período da dependência absoluta e a caracterização de um holding no qual os cuidados paternos estivessem incluídos. Desta forma, pôde-se discutir a construção de uma paternidade afetivamente inscrita na subjetividade do bebê desde os primeiros momentos de vida. Esta inscrição seria possibilitada pela disponibilidade dos pais em se adaptar à rotina de cuidados do bebê e estabelecer especificidades de holding ao longo das interações singulares e dos cuidados adaptados. Partindo das elaborações construídas ao final desse estudo, atentou-se para a importância de desenvolver: estudos voltados para a inserção do pai, como cuidador, em momentos iniciais do desenvolvimento infantil; para o estudo das implicações dos cuidados paternos na flexibilização de papeis e funções masculinas e femininas nas configurações familiares; assim como, para as implicações dessa flexibilização no posicionamento das instituições, voltadas para a atenção humanizada ao pré-natal e ao puerpério, perante a demanda de inclusão do pai no ciclo gravídico-puerperal