"A vivência e a invenção no cotidiano em 'Rosa, minha irmã Rosa' (Alice Vieira) e 'O sofá estampado' (Lygia Bojunga)"

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2002
Autor(a) principal: Papes, Cleide da Costa e Silva
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8150/tde-27062003-154107/
Resumo: A vivência no cotidiano realiza-se por uma variedade de estratégias criadas pelo homem a fim de superar a facticidade da vida, suas “maneiras de fazer" ou formas com que transforma o espaço e o tempo e preenche o vazio das deformações de ação social. Tenta assim vencer a grelha determinista do dia-a-dia com uma inventividade em que se revela como um herói anônimo. Definida como o lugar do homem neste mecanismo de superação, destaca-se a casa como o centro da afetividade onde a vida se fecha no aconchego, alimento e proteção, em cujo interior estão depositadas as células de esperança e idealização. Apesar disso, este universo vem sofrendo profundas alterações pelas mudanças em curso no mundo, sobrevindo a contracasa como o espaço de aniquilamento do homem onde ele oscila entre o SER e o NADA, desequilibrando-se através dos apelos da sociedade capitalista para a acumulação de bens materiais no mundo do TER. Tais realidades denunciam-se na obra de Alice Vieira (Portugal) e Lygia Bojunga Nunes (Brasil), autoras focalizadas nesta tese, ambas revelando o cotidiano e as bases em que o homem pode vivê-lo sem degradar-se, escapando de ser o herói problemático à procura de valores autênticos numa sociedade produtora para o mercado. Optando pelo realismo, a escritora portuguesa apresenta o SER, o homem no dia-a-dia, pela voz do narrador-criança que flui os fatos com a autenticidade e a lógica de sua visão pueril; recorrendo ao processo fabular com situações fantásticas em que o estranho configura o hiper-real, a escritora brasileira apresenta o TER. A casa e a contracasa, presentes na criação destas autoras, acenam para a necessidade da recentralização do homem nos laços do afeto que o fixam na vida e confirmam a sua existência pelo olhar do outro. Revelam, além disso, a crise do sujeito no que se refere à identidade e à necessidade de ele se retomar como agente de transformação pelo seu fazer e, como ser linguagem, na renomeação do mundo. Da criação literária para a grande invenção no plano real abre-se a perspectiva de uma utopia em que será possível preencher o vazio do futuro com novos relacionamentos homem/homem, homem/natureza, homem/sociedade, escapando à fragmentação e, proporcionalmente, à globalização, com um outro horizonte de possibilidades. Esta utopia é a palavra renomeando o mundo, e é também o próprio homem, reassumindo o discurso como o locutor efetivo da era humanitária.