Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2014 |
Autor(a) principal: |
Caponero, Maria Cristina |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
|
Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
|
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
|
Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
País: |
Não Informado pela instituição
|
Palavras-chave em Português: |
|
Link de acesso: |
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16133/tde-05112014-144822/
|
Resumo: |
Diferentemente dos estudos tradicionais sobre as festas realizados pela História Social, pela Sociologia ou pela Antropologia, a presente tese tem como objeto de estudo as festas públicas no espaço urbano de São Paulo. Trata-se de um estudo espacializado e discutido em função dos impactos dessas práticas na cidade na longa duração, pois somente assim são perceptíveis as rupturas e continuidades. Nossa baliza cronológica inicial é o ano de 1711, marco de São Paulo enquanto cidade e momento em que a urbe apresenta uma vida urbana mais intensa, com um degradé social mais acentuado. Analisamos as festas públicas de realização e de frequência obrigatórias, espacializando seus espaços em meio à paisagem urbana e social. Procuramos compreender seu significado e função para os diversos grupos, entrevendo as práticas através das representações, e conflitos nas entrelinhas das normas e obrigações. Interpretamos o Império como período de transição na direção de um crescente processo de laicização nos usos dos espaços urbanos públicos e momento em que as festas deixaram de ser de realização obrigatória, isentando os moradores dos seus encargos de outrora. Procuramos mostrar como os Códigos de Posturas passaram a encarar as festas, levando em alguns casos à perda de suas funções simbólicas intrínsecas e de seu espaço na paisagem urbana. Nossa principal contribuição reside no exame mais detalhado do período republicano, quando o Brasil é decretado território laico, tendo a Igreja oficialmente se separado do Estado, mas mantendo-se a união em situações estratégicas e ideologicamente oportunas para a construção e fortalecimento do ideário e poder do novo regime em curso. Buscamos então compreender o espaço das festas e seus significados em meio às transformações materiais e sociais por que passava a cidade, especialmente no seu perímetro central. Entrevimos um descompasso entre a dimensão do espaço material em transformação e as festas. A área central da cidade transformou-se brutalmente em volumetria, mas se manteve muito semelhante em planimetria, tornando-se pequena e dominada por outros usos menos interessados nas grandes festas públicas, expulsando, recolhendo ou encolhendo algumas delas, ofuscando outras. Nossa baliza cronológica final é o ano de 1935, marco da ruptura na forma como as festas vinham sendo tratadas, deixando de ser controladas por seus impactos urbanísticos e passando a ser encaradas pela municipalidade mais como recreação do que propriamente como um problema relacionado com a própria feitura da cidade. Assim, a partir da análise de fontes primárias civis e eclesiásticas como Atas, Correspondências, Pedidos de Alvarás e Licenças, Livros de Tombo da Igreja e outras fontes oficiais comprometidas com o interesse de quem estava no poder, procuramos compreender o espaço da festa na paisagem urbana da cidade de São Paulo. O caso paulistano é um entre tantos outros e o estudo dos pormenores do processo, com seus ritmos por vezes contraditórios, com sua cadência ao sabor dos interesses, e seus descompassos inevitáveis, permitiu entrever o jogo das práticas em meio às representações, longe de ser um processo linear e tampouco rápido e sem conflitos. |