Relação entre perfil socioeconômico, desempenho escolar e evasão de alunos: escolas do campo e municípios rurais no estado de São Paulo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2012
Autor(a) principal: Artoni, Carla Baraldi
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/96/96132/tde-23042012-150023/
Resumo: A emergência de políticas públicas participativas tem evidenciado a necessidade de promover a educação da população de forma a fornecer os conhecimentos básicos para o exercício da cidadania. Nesse contexto levanta-se a discussão a respeito da educação para minorias, dentre as quais se destaca a população do campo. Essa população rural tem ganhado espaço na pauta de discussão de políticas públicas principalmente devido ao movimento Por uma Educação do Campo que existe desde a década de 1990 e tem se fortalecido. Nesse trabalho objetivouse levantar políticas públicas voltadas para Educação do Campo e comparar a relação entre as variáveis: a) perfil socioeconômico, b) taxa de abandono e c) desempenho escolar das escolas de ensino fundamental regular (4ª e 8ª série) municipais e estaduais do Estado de São Paulo a partir de dados da Prova Brasil (2007 e 2009), Censo Escolar (2009) e IDEB (2007 e 2009) disponibilizados pelo (INEP). A proposta se pauta ainda nas discussões de alguns autores que tem estudado a definição de ambiente rural e urbano e sustentam que as fronteiras entre os dois ambientes não é fixa, e muitos municípios classificados como urbanos pelo IBGE apresentam características predominantemente rurais. Destaca-se nesse debate um novo conceito proposto por Veiga (2003), o de municípios rurais. Esse critério, bem como o critério do IBGE, foram utilizados no presente estudo para a comparação de indicadores das escolas do estado de São Paulo. O estudo foi conduzido em três etapas, a primeira foi qualitativa e baseou-se em dados secundários visando identificar políticas educacionais voltadas para realidade rural, bem como selecionar os municípios que se adequam ao perfil definido como municípios rurais; a segunda corresponde compilação e organização dos bancos de dados; e a terceira etapa, predominante quantitativa, refere-se à análise dos bancos por meio da estatística descritiva e de diferença de médias (ANOVA, Teste T, Teste de Bonferroni). Os resultados encontrados apontam para mudanças que vem ocorrendo nas políticas públicas de educação, que recentemente passaram a considerar as Escolas do Campo como realidade a ser contemplada. Quanto aos indicadores de desempenho (pontuação média das escolas na Prova Brasil e no IDEB), identifica-se que as escolas rurais apresentam menor desempenho quando são classificadas pela tipologia do IBGE. Vale ressaltar, entretanto, que nessa classificação, a quantidade de escolas consideradas como rurais é muito pequena, prejudicando a comparação. Ao considerar a tipologia proposta por Veiga, o resultado se inverte, verifica-se que as escolas de municípios rurais apresentam bom desempenho. Seguindo essa tipologia, a quantidade de escolas consideradas como de municípios rurais é mais equilibrada, possibilitando uma comparação mais justa. No que diz respeito à análise de desempenho de acordo com o perfil dos alunos definido pelo percentual de alunos que moram no campo (a partir do que os próprios alunos declararam nos questionários do censo escolar), verifica-se que desempenho das escolas é reduzido conforme aumenta o percentual de alunos de área rural, demonstrando que, conforme discutido por Arroyo (2011), a mistura de alunos de realidades desiguais reflete nos desempenhos desiguais dentro das escolas. Por último, ao comparar o desempenho com o nível socioeconômico das escolas, verifica-se que a melhora do indicador socioeconômico da escola possui um impacto direto no desempenho dos alunos, sendo que conforme aumenta o indicador socioeconômico da escola, da mesma forma melhora o desempenho escolar.