Incidência e fatores de risco para alterações visuais pós-operatórias em idosos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Badessa, Guinther Giroldo
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5152/tde-17082018-102539/
Resumo: INTRODUÇÃO: Os relatos de alterações da acuidade visual no pósoperatório são esporádicos e acredita-se que apenas os mais graves estejam descritos na literatura. Trata-se de complicação grave e não existem estudos comparativos de avaliação visual antes e após os procedimentos anestésico-cirúrgicos. OBJETIVOS: Analisar a incidência e os fatores de risco para alterações visuais pós-operatórias em pacientes idosos. MÉTODOS: Após aprovação pela Comissão Institucional de Ética em Pesquisa foram estudados 107 pacientes entre 60 anos e 80 anos submetidos a cirurgias com duração superior a 120 minutos. Pacientes com pontuação inferior a 18 pontos na avaliação cognitiva pelo teste de Mini Mental (MMSE) foram excluídos do estudo e também aqueles candidatos a cirurgia oftalmológica, de coluna, cardiovascular, neurocirurgia, de cabeça e pescoço ou otorrinolaringológica, ou os portadores de distúrbios psiquiátricos ou alterações oftalmológicas significativas. Realizou-se avaliação da acuidade visual no dia anterior à cirurgia e no 3º e 21º dias de pósoperatório, sendo esta última realizada apenas nos pacientes que apresentaram algum tipo de alteração visual no 3º PO. As avaliações da acuidade visual foram realizadas utilizando a tabela de Snellen, tabela de Jaeger, biomicroscopia, tonometria óptica, refração, motilidade ocular e fundoscopia. As variáveis independentes preditoras de risco de alteração visual foram selecionadas pelo modelo de regressão logística múltipla. RESULTADOS: A incidência de alteração visual no 3o PO foi de 19,6% (n=21), dos quais 33% (n=7) persistiram com a alteração visual até o 21o PO. A principal alteração foi encontrada ao exame da tabela de Snellen com redução de 30% (p < 0,05) da acuidade visual no 3o PO. Esta alteração foi acompanhada de aumento da refração e da pressão intraocular. Os pacientes diabéticos tipo II, com aumento da frequência cardíaca após a indução anestésica, redução da saturação de oxigênio ao final da cirurgia e submetidos a cirurgias mais prolongadas apresentaram maior risco de alteração visual pós-operatória. DISCUSSÃO: A avaliação por meio de testes específicos permitiu identificar a incidência de alteração visual pósoperatória em pacientes idosos submetidos a anestesia geral para cirurgias com mais de 120 minutos de duração. Os fatores de risco identificados sugerem que pacientes idosos e diabéticos submetidos a cirurgias prolongadas, com aumento da frequência cardíaca e hipotensão após a indução anestésica, redução da saturação de oxigênio ao final da cirurgia e apresentam maior risco de desenvolvimento de alteração visual pósoperatória. Estudos adicionais sobre as causas e formas de prevenção são desejáveis para a melhor compreensão deste evento adverso