Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2000 |
Autor(a) principal: |
Ramirez, Andréa |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41131/tde-21022002-114235/
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Resumo: |
O teste do micronúcleo (MN) vem sendo utilizado omo indicador de exposição genotóxica uma vez que sua ocorrência está associada às aberrações cromossômicas. Comparou-se a frequência de MN de 30 pacientes alcoólicos crônicos portadores de carcinomas orais e orofaríngeos, nos quais o consumo de álcool variou de quatro à 59 anos, com a de 30 indivíduos abstinentes de semelhante nível sócio-econômico. A diferença (14,5 anos) entre a média da idade dos pacientes (52,9 ± 1,6) e a dos controles (38,4 ± 1,5) foi estatisticamente significante (P< 0,0001). A pesquisa consiste na análise de 2000 células de escamação da mucosa oral de três regiões distintas da boca de pacientes e controles: ao redor da lesão (B), na região contra-lateral à lesão (A) e na região fundo de saco gengivo-labial superior (C), previamente considerada controle devido à baixa incidência de tumores. As células foram fixadas, coradas e analisadas em "teste cego" através de técnica modificada e adaptada aos requisitos específicos da pesquisa. O número de MN por 2000 células por indivíduo nos pacientes, assim como nos controles mostrou uma distribuição de Poisson com dispersão assimetricamente positiva, e aumento da variância nos pacientes. A distribuição de anomalias metanucleares também exibiu desvios significantes da dispersão normal. A heterogeneidade da frequência de MN nas três regiões orais dos pacientes, avaliada através do teste de Kruskal-Wallis, mostrou-se extremamente significante (P = 0,005). Enquanto a comparação entre as regiões B vs C foi estatisticamente significante (P < 0,01), as comparações entre as regiões A vs B ou A vs C (P > 0,05) não revelaram diferenças estatisticamente significante através do teste de comparação múltipla de Dunn. As comparações das diferençasnas frequências de MN resultantes do emparelhamento entre as três regiões orais (A-B, A-C, BC), aumentou o nível de significância dos resultados quanto à heterogeneidade regional (P = 0,0003) e tornou a comparação A vs C estatisticamente significante. Entretanto, a análise da variância não paramétrica da distribuição de MN nas três regiões orais dos controles não indicou heterogeneidade (P = 0,943). As frequências de MN e de células metanucleadas nas regiões orais dos pacientes também foram comparadas à dos controles através do teste de Mann-Whitney. A diferença na região tumoral foi extremamente significante (P < 0,001) e, significante na região oposta à lesão (P = 0,03) porém não significante na região fundo de saco gengivo-labial superior (P = 0,44). Esses resultados indicam um aumento de sete vezes na frequência de MN ao redor da lesão, três vezes na região oposta à lesão e duas vezes, embora não estatisticamente significante, na região fundo de saco gengivo-labial superior, revelando um gradiente na frequência de MN no sentido C -> A -> B. Comparações das frequências de células metanucleadas: binucleadas (BI), cariorréxes (CR), cariólises (CL) e broken egg (BE) nas três regiões orais de pacientes e controles, revelaram diferenças extremamente significantes, com exceção apenas de BE, em todas as regiões orais e de CR na região fundo de saco gengivo-labial superior. As comparações dicotômicas das variáveis independentes não paramétricas com a frequência de MN através dos testes de contingência e Mann-Whitney, não foram estatisticamente significantes ao nível de 5% de probabilidade, com exceção de uma única questão do questionário de diagnóstico do alcoolismo CAGE, que confirmou o efeito do álcool. Ao contrário dos resultados esperados, as frequências de MN e anomalias metanucleares não mostraram associações significantes com a idade tanto nos pacientes como nos controles. Ainda mais, a análise de regressão múltipla escalonada da frequência de células com MN ou anomalias metanucleares sobre fatores intervenientes, como idade, fim e tempo de consumo de álcool e tempo de uso de tabaco, nos pacientes, revelou coeficientes de regressão pequenos e negativos, mas significantes. Já os coeficientes de regressão da variável CL sobre o consumo de álcool foi significantemente pequeno, mas positivo, com ou sem transformação das frequências das variáveis dependentes através da raiz quadrada. Entretanto, os resultados da análise de regressão dos pacientes, aparentemente contraditórios, podem ser explicados supondo-se que as frequências de MN, durante a exposição crônica ao álcool, teriam um forte aumento inicial, diminuindo posteriormente até um nível significantemente maior que aquele no início do consumo de álcool; por outro lado, a frequência de CL aumentaria inversamente como resultado da transformação de MN durante o processo de reparo. Pode-se deduzir a partir resultados da presente pesquisa que a análise de células com MN e anomalias metanucleares devem levar em consideração critérios de padronização citológicos rígidos. O número de células a ser contado deve ser fixo e superior a 2000 de modo que inclua a variabilidade normal (espontânea) da distribuição de MN e, ainda, eliminar viéses estatísticos na estimativa de suas frequências. Ainda, o tamanho da amostra deve ser superior à 30 indivíduos, a fim de assegurar a representatividade estatística. A significância das diferenças inter-grupais deve ser estimada através de testes não paramétricos. Além disso, análises intra-individuais (ou inter-regionais) bem como a utilização de controles específicos inter-individuais pareados quanto aos fatores intervenientes (sexo, idade, grupo étnico, nível sócio-econômico, etc.) deveriam ser práticas metodológicas usuais. Como conclusão, o teste do MN deve ser considerado como uma técnica de triagem simples, prática, econômica e não invasiva para a prevenção e monitoramento clínicos de indivíduos sob risco carcinogênico, após exposição à agentes ou situações genotóxicas, como consumo crônico e abusivo de álcool, tabaco e/ou outras drogas mutagênicas, ou ainda, manipulação profissional de derivados de petróleo e outras substâncias tóxicas industriais. No contexto da presente investigação, o teste do MN deve ser particularmente indicado para monitoramento da evolução clínica de indivíduos com tumores ou lesões leucoplásicas curadas ou removidas cirurgicamente ou após tratamentos quimo ou radioterápicos, através de comparações intra e interindividuais. |