Fatalismo e conscientização: narrativas de cinco mulheres do extremo leste de São Paulo sobre feminismos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Arantes, Izabella Lopes de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-20032023-155804/
Resumo: Utilizando como conceitos norteadores o fatalismo, de Martín-Baró, e a conscientização, de Freire, a presente pesquisa analisou o engajamento em causas feministas como uma possível via de elaboração do sofrimento ético-político e de transformação das atitudes de resignação, aceitação e submissão fatalistas diante de um cenário de opressão. Através do método qualitativo, a fim de apreender as nuances do fenômeno pesquisado em profundidade, e utilizando como recorte o movimento feminista, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com cinco mulheres, que residem no extremo leste da cidade de São Paulo ou em áreas adjacentes, e que se consideram feministas. O objetivo das entrevistas foi compreender se a identificação com os feminismos contribui para a desconstrução de pensamentos e atitudes fatalistas de passividade, aceitação e reprodução da violência de gênero contra as mulheres e de suas consequentes desigualdades, e se as direciona para uma ação coletiva. O método utilizado para apreciação do material produzido nas entrevistas foi o construtivo-interpretativo, de González Rey, por possibilitar uma leitura mais detalhada dos discursos e de seus significados. Os achados obtidos nas entrevistas das cinco mulheres indicaram uma diferença importante entre os discursos daquelas que exerciam, de fato, uma militância ativa por pautas feministas e daquelas que, apesar de simpatizarem com algumas causas do feminismo, optavam por não militar em grupos e preferiam adotar algumas atitudes descritas como feministas no cotidiano o que, consequentemente, mostrou aproximálas mais do campo do ativismo individual e pontual. As militantes mais atuantes se mostraram críticas ao sistema econômico, à política e apresentaram problematizações que articulavam gênero, classe e raça. Já as ativistas, descreveram incômodos mais associados à vida privada, como desejo por obter igualdade salarial, direito ao aborto e vestimentas. Através dos relatos, foi possível perceber que tanto a militância feminista como a identificação com algumas pautas do movimento foram capazes de produzir nas cinco mulheres mudanças nas percepções sobre si mesmas e sobre o cotidiano, bem como possibilitaram transformações em seus relacionamentos e nas posturas de resignação e submissão que declararam apresentar no passado