Avaliação do diâmetro da bainha do nervo óptico e parâmetros do ultrassom transcraniano como preditores de mortalidade e desfechos clínicos em pacientes com hemorragia intraparenquimatosa cerebral primária aguda

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Dias, Francisco Antunes
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17140/tde-09112022-113347/
Resumo: Introdução. A hemorragia intraparenquimatosa (HIP) primária aguda apresenta elevada morbimortalidade, podendo estar associada à algumas complicações, como a sua expansão precoce e a hipertensão intracraniana (HIC), que conferem um pior prognóstico. A dilatação do diâmetro da bainha do nervo óptico (DBNO), identificada através do ultrassom do nervo óptico (USNO), é reconhecida como um método não-invasivo acurado para identificação da presença de HIC. Outros métodos ultrassonográficos não-invasivos também já foram descritos na investigação de HIC, entre eles a avaliação do índice de pulsatilidade (IP) e a estimativa não-invasiva da PIC (e-PIC) pelo ultrassom transcraniano (UTC), através de fórmulas derivadas das velocidades de fluxo da artéria cerebral média e da pressão arterial média. No entanto, esses métodos não-invasivos foram pouco estudados na fase aguda da HIP. Objetivos: Avaliar se o DBNO é um preditor de deterioração neurológica precoce, e de mortalidade e desfechos clínicos em 3 meses, em pacientes com HIP aguda. Como objetivos secundários, avaliamos a correlação entre as volumetrias pelo UTC quando comparadas à tomografia computadorizada (TC) de crânio, e o potencial uso do UTC na identificação de expansão precoce da HIP nas primeiras 24 horas, além de investigarmos a concordância das volumetrias na TC pelo método convencional \"AxBxC/2\" entre examinadores de diferentes graus de expertise e a planimetria. Métodos. Estudo multicêntrico e prospectivo de pacientes com HIP supratentorial primária aguda admitidos de forma consecutiva em um centro terciário de referência. O USNO e a TC de crânio foram realizados e revisados de forma cega. O desfecho primário do estudo foi a mortalidade em 3 meses. Outros desfechos avaliados foram a deterioração neurológica precoce em 24-48 horas e o mau desfecho funcional em 3 meses, através de pontuações entre 4-6 na escala de Rankin modificada. Análises de regressão logística, curva ROC e estatística-C foram utilizadas para a identificação dos preditores independentes dos desfechos de interesse. Resultados. No período entre julho de 2014 a julho de 2016, 44 pacientes foram avaliados e incluídos nas análises. A idade média foi de 62,3 (±13,1) anos e 12 (27,3%) eram mulheres. Na análise univariada, o volume da HIP na TC de crânio, o DBNO ipsilateral à HIP, a presença de HIC no hemisfério contralateral à HIP pela e-PIC, a glicemia, a escala de coma de Glasgow (ECG), a escala de AVC do NIH, todos na admissão hospitalar, e também diabetes mellitus e não-tabagista foram os preditores de mortalidade. Após a análise multivariada, o DBNO ipsilateral à HIP permaneceu como um preditor independente de mortalidade (OR 6,25; IC 95% 1,07-36,35; p=0,04), mesmo após ajuste para outros fatores prognósticos. O melhor ponto de corte do DBNO ipsilateral foi de 5,6mm (sensibilidade de 72% e especificidade de 83%), com uma AUC de 0,71 (p=0,02) como preditor de mortalidade em 3 meses. O DBNO ipsilateral à HIP também foi um preditor independente de maus desfechos funcionais em 3 meses (OR 8,94; IC 95% 1,18-67,70; p=0,03). Os demais métodos ultrassonográficos não estiveram significativamente relacionados aos desfechos avaliados. A correlação entre as volumetrias pelo UTC e TC de crânio foi alta, assim como foi elevada a concordância das volumetrias pelo método convencional entre os diferentes examinadores e a planimetria. Conclusões. O USNO é um método não-invasivo, beira-leito, de baixo custo, que pode ser empregado para se estimar a presença de HIC em pacientes com HIP supratentorial primária aguda. A presença de dilatação do DBNO é um preditor independente de mortalidade e maus desfechos clínicos em 3 meses nesses pacientes.