Dialética das redes virtuais: periódicos eletrônicos anticapitalistas na formação e reorganização da classe trabalhadora

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2015
Autor(a) principal: Dias, Paulo Vergilio Marques
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-20072015-121643/
Resumo: Este trabalho tem como objetivo proceder a uma investigação acerca do papel de periódicos eletrônicos de mídias alternativas e debates de crítica social enquanto possíveis espaços formativos e educativos, e de reorganização da classe trabalhadora. Tendo como base de análise a teoria do valor-trabalho de Marx, analisamos a rede mundial de computadores, inserida dentro do campo maior das tecnologias microeletrônicas da terceira revolução industrial e enquanto base tecnológica e organizacional da reestruturação produtiva, enquanto parte estratégica do aparato que integra as condições gerais de produção do capital. Assim, esta se apresenta enquanto um conjunto tecnológico diretamente ligado ao processo de trabalho, responsável pela organização, controle, comando e fiscalização sobre o complexo de unidades particulares de produção que integram a Fábrica Social. A rede é concebida enquanto instrumento de controle social, que permite ditar o ritmo dos processos de trabalho no âmbito da fábrica social e fundir a vigilância com o próprio processo de trabalho, bem como os consumos organizados enquanto reprodução da força de trabalho. Considerando-se a organização social capitalista enquanto totalidade expandida e organizada como Fábrica Social, o processo dos consumos, lazeres e tempos livres se torna, uma vez sujeito à hetero-organização imposta pelas empresas e tecnocracias, um processo laborativo de consumo produtivo. A própria força de trabalho é produzida no interior deste processo, e assim, os lazeres eletrônicos e usos da rede de computadores pelos trabalhadores são também terreno de conflito social pelos usos dados a esta por capitalistas e trabalhadores. De um lado, configura-se a tentativa capitalista de hetero-organizar o uso destas redes enquanto instrumento de controle social e imposição de trabalho sobre uma classe trabalhadora que se encontra fragmentada pelo processo de divisão do trabalho na atual configuração produtiva. De outro lado, estruturam-se usos e apropriações das mesmas redes e tecnologias pelos trabalhadores, que potencialmente permitem a circulação e articulação dos processos de lutas sociais e a recomposição política da classe trabalhadora fato manifesto no importante papel da internet durante as atuais ondas internacionais e nacionais de protestos e lutas sociais. Ainda e finalmente, a apropriação e uso autônomo destas tecnologias pelos trabalhadores podem constituir fóruns de debate que assumem marcado caráter de potencial formativo e educativo, como o foi a imprensa operária independente no princípio do século XX. Assim, através da análise de quatro periódicos eletrônicos autônomos Centro de Mídia Independente, Desinformémonos, Passa Palavra e Sinal de Menos procuramos determinar o papel destes sites e espaços eletrônicos enquanto potenciais veículos de reorganização da classe trabalhadora, de autoformação, construção de conhecimento e identidade social da classe. Procuramos, através da análise do histórico, composição social, forma de organização e visões sobre o processo autoformativo e auto-organizativo por parte de seus leitores e coletivos produtores, determinar como se dá este processo, quais suas potencialidades e limites dentro das lutas sociais atuais. Para isto, procedemos ao levantamento de documentos editoriais dos periódicos e à análise cruzada de depoimentos de seus produtores e leitores.