Influência de reserva florestal urbana no arrefecimento do microclima em uma capital amazônica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Costa, Beatriz Cordeiro
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11150/tde-10042023-175720/
Resumo: Sabe-se que o conforto térmico está intrinsecamente relacionado ao bem-estar humano, sendo, portanto, identificado como uma consequência do controle de microclima: um importante serviço ecossistêmico. Este conceito está relacionado aos benefícios advindos de ambientes florestados, aquáticos ou terrestres, que além dos efeitos de manter a qualidade dos ecossistemas naturais, podem satisfazer as necessidades humanas. Entretanto, o ambiente natural e as paisagens rurais estão se transformando de forma acelerada em ambientes urbanos e industrializados, afetando consideravelmente o conforto térmico humano. Nesse sentido, o objetivo desta pesquisa é entender a importância do ecossistema florestal tipicamente amazônico como fator de manutenção do microclima de uma capital urbana, localizada na região mais populosa do norte do Brasil, utilizando o índice de conforto térmico (ICT). Os ambientes escolhidos englobam a área de um parque florestal urbano, localizado em Belém, uma das principais capitais amazônicas, e a área urbana sob sua influência. A metodologia empregada envolveu o uso do equipamento termo higrômetro, com sensor HOBO U10 de temperatura (T°C) e umidade relativa do ar (UR%), programado no software HOBOware® 3.7.22 para fazer registros a cada 10 segundos. O sensor foi acoplado em um abrigo meteorológico durante todas as medições, que ocorreram em um transecto com ponto inicial dentro do parque e ponto final em área urbana, seguindo a direção predominante do vento. As medições foram realizadas por meio de um veículo, em velocidade constante, duas vezes ao mês, em cinco horários do dia no período de um ano. Também foram coletados dados de estações meteorológicas próximas e distantes do Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna (PEUt). Foram aplicadas entrevistas para verificar a sensação térmica e o atributo de valor monetário dado ao parque pelos visitantes. A partir dos dados coletados, o ICT foi correlacionado com o nível de sensação térmica dos visitantes, a valoração, a estação do ano, horário do dia e presença ou ausência de vegetação. Para isso, foi feita a análise de variância, a análise multivariada de componentes principais, correlação de Pearson e foi utilizada a técnica dos Modelos Lineares Generalizados (GLM) para investigar o tamanho do efeito de cada variável nos pontos do estudo. Também foi realizada a classificação do solo de todos os pontos, em buffer de 400m. Os resultados apontam que a área verde urbana influencia significativamente o entorno urbano imediato, uma vez que a temperatura aumenta 0,0007612°C a cada metro mais distante da área verde, assim como a umidade diminui 0,0039974%. Ademais, o interior do parque é mais úmido e tem variação de temperatura na ordem de 1,98°C menor em relação à área urbana durante o horário das 12h (o mais quente do dia). A análise fatorial mostrou que as variáveis do microclima estão intrinsicamente ligadas ao conforto térmico dos visitantes, bem como as vestimentas e o perfil corpóreo. Com isso, o estudo demonstra que, por meio desta metodologia, o planejamento urbano pode ser feito de maneira a atenuar os efeitos negativos da área urbana no microclima da região.