Hipotermia como terapêutica adjuvante à intervenção coronária percutânea em pacientes com infarto agudo do miocárdio - Estudo COOl-MI InCor

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Dallan, Luis Augusto Palma
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-10092021-145825/
Resumo: Introdução: A hipotermia terapêutica (HT) reduz os danos causados pela síndrome de lesão de reperfusão pós isquemia (LRI) nas paradas cardiorrespiratórias e já tem seu papel estabelecido nos pacientes com morte súbita, entretanto seu papel no infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST) permanece controverso. Os objetivos deste estudo foram investigar a segurança, a viabilidade e a eficácia em 30 dias da indução rápida de hipotermia terapêutica como terapêutica adjuvante à intervenção coronária percutânea (ICP), em pacientes com IAMCSST anterior e inferior. Métodos: Trata-se de um estudo unicêntrico, prospectivo, intervencionista, controlado e randomizado, com dois braços, com pacientes internados no departamento de emergência (DE) dentro de 6 horas do início dos sintomas, apresentando IAMCSST anterior ou inferior e elegíveis para ICP. Os indivíduos foram randomizados para o grupo hipotermia (ICP primária + HT) ou para o grupo controle (ICP primária) na proporção 4:1. A HT foi induzida pela administração de 1L de solução salina fria a 1-4°C associada ao Sistema Proteus®, por resfriamento por pelo menos 18 minutos antes da reperfusão coronária com temperatura-alvo de 32±1°C. Manutenção de HT por 1 a 3 horas e reaquecimento ativo a uma taxa de 1ºC/h por 4h. Os desfechos primários de segurança foram a factibilidade da HT na ausência de I) atraso do tempo porta-balão (TPB); e II) eventos adversos cardíacos maiores (MACE) aos 30 dias após a randomização. Os desfechos primários de efetividade foram o tamanho do infarto e a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) aos 30 dias. Foi realizada uma análise estatística \"conforme tratamento\" (astreated - ATT). Resultados: Foram incluídos 50 pacientes, 35 (70%) randomizados para o grupo hipotermia e 15 (30%) para o grupo controle. A idade média foi de 58 ± 12 anos, 78% homens, e as doenças associadas foram 60% hipertensão, 42% diabetes e 72% dislipidemia. A parede miocárdica comprometida foi anterior em 38% e inferior em 62%, e os vasos culpados foram LAD (40%), RCA (38%) e LCx (18%). Houve resfriamento bem-sucedido em todos os 35 pacientes com tentativa de HT (100%), com temperatura endovascular média na reperfusão coronária de 33,1°C ± 0,9°C. A média do TPB foi de 92,1 min ± 20,5 min no grupo hipotermia e 87 min ± 24,4 min no grupo controle. A diferença absoluta de 5,1 min não foi estatisticamente significativa (p=0,509). As taxas de MACE foram semelhantes entre os ambos os grupos (21,7% vs 20% respectivamente, p=0,237). Na comparação entre os grupos hipotermia e controle, não se observaram diferenças estatisticamente significativas aos 30 dias entre o tamanho médio do infarto (13,9% ± 8% vs 13,8% ± 10,8%, respectivamente, p=0,801) ou a média da FEVE final (43,3% ± 11,2% vs 48,3 ± 10,9%, respectivamente; p=0,194). Conclusões: A hipotermia como terapia adjuvante à ICP primária no IAMCSST é factível e pode ser implementada sem atraso no tempo até a reperfusão coronária. A hipotermia mostrou-se segura em relação à incidência de MACE em 30 dias. Entretanto, houve maior incidência de arritmia e de infecção intrahospitalar no grupo hipotermia, sem aumento de mortalidade. Em relação à eficácia, não se observou diferença no tamanho do infarto ou da FEVE aos 30 dias que sugira proteção miocárdica adicional com a HT.