Aprendendo a ouvir aqueles que não ouvem: o desafio do professor de Ciências no trabalho com a linguagem científica com alunos surdos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Amado, Beatriz Crittelli
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/81/81133/tde-05072018-141511/
Resumo: A educação de alunos Surdos, no Brasil, é respaldada por documentos legais, sendo de escolha do aluno estudar em um contexto inclusivo com o apoio de intérpretes de língua brasileira de sinais (Libras) ou em espaços de educação bilíngue, com a Libras sendo língua de instrução. Ao ter como foco as escolas bilíngues, muitos pontos devem ser levados em consideração no processo de aprendizagem do aluno através da Libras, como, por exemplo: um bom domínio da língua por parte do professor, o uso de diferentes recursos como ferramentas nas aulas, a exploração de aspectos visuais, entre outros. Nas aulas de ciências, somado aos pontos mencionados, o professor deve se preocupar com a significação dos conceitos científicos a partir da Libras, sendo que, em alguns casos, a língua de sinais ainda não contempla esse vocabulário científico. A partir desse quadro, a presente pesquisa foi constituída com o foco de analisar as interações entre professor e os alunos Surdos nas aulas de ciências de uma escola de educação bilíngue, com base nas ferramentas de ensino que o professor utilizou em sua prática, no vocabulário científico utilizado e na avaliação final dos alunos. Essa análise foi pautada por um estudo etnográfico com base nos diários de campo, vídeos das avaliações dos alunos e, também, em uma entrevista realizada com o professor de ciências. Com isso, foram identificados diversos aspectos que podem contribuir tanto para o ensino de ciências para Surdos como para ouvintes quanto à formação do conceito científico em sala de aula. Palavras e sinais da área de ciências carregam consigo um significado conceitual que, em Libras, muitas vezes é construído em aula, pois o vocabulário científico ainda é básico em tal língua. Essa construção pode enriquecer uma aula a depender da metodologia de ensino e de como o professor trabalha em sala de aula e em Libras, podendo se trabalhar com o combinado de sinais ou também com o uso de classificadores, quando identificado que não há o sinal específico. Nas aulas acompanhadas, foi observado que houve combinados de sinais, mas, nas avaliações, muitos alunos não utilizaram esses sinais e nem classificadores para explicar os termos científicos trabalhados, apesar de, durante as aulas, a interação e construção de sinais ter ocorrido de forma intensa. Esperamos que essa pesquisa contribua para que o ensino de ciências seja pensado com base em outras perspectivas e que seja também uma porta para que, a partir desta, outras pesquisas nessa área se desenvolvam.