Atividade antibacteriana do canabidiol: potencial reposicionamento e combinação com polimixina B contra bactérias multidroga-resistentes

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Abichabki, Nathália de Lima Martins
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/60/60141/tde-21032022-082714/
Resumo: A resistência bacteriana aos antibióticos é um problema de saúde pública mundial, especialmente devido ao crescente aumento de infecções relacionadas à assistência à saúde causadas por bactérias multidroga-resistentes (MDR) e extremamente droga-resistentes (XDR). Com o objetivo de combater a resistência bacteriana aos antibióticos, muitas substâncias têm sido investigadas quanto à sua potencial atividade antibacteriana, incluindo substâncias provenientes de produtos naturais. O canabidiol (CBD) é o canabinoide não psicoativo mais abundante isolado da Cannabis sativa e o CBD tem sido associado a múltiplas e potenciais atividades biológicas e terapêuticas. Este estudo teve como objetivo investigar (i) a atividade antibacteriana do CBD ultrapuro e (ii) a atividade antibacteriana da combinação CBD + polimixina B (PB) contra bactérias gram-negativas, incluindo bacilos gram-negativos (BGN) resistentes à PB. Foi utilizado o método referência de microdiluição de caldo, técnica de checkerboard e ensaio de time-kill. O CBD apresentou atividade antibacteriana contra bactérias gram-positivas (13 espécies, 21 linhagens), diplococos gram-negativos (GND) que expressam lipo-oligossacarídeo (LOS) (Neisseria gonorrhoeae, Neisseria meningitidis, Moraxella catarrhalis) e Mycobacterium tuberculosis, mas não contra BGN (27 espécies, 70 linhagens). Para a maioria dos BGN estudados, os resultados mostraram que baixas concentrações de PB (≤ 2 µg/mL e menores que a concentração inibitória mínima) permitiram que o CBD (≤ 4 µg/mL) exercesse atividade antibacteriana contra BGN (por exemplo, Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli, Acinetobacter baumannii), incluindo BGN com resistência cromossômica à PB (por exemplo, K. pneumoniae com mutação no gene mgrB) e E. tarda, com resistência intrínseca à PB. As exceções foram Pseudomonas aeruginosa e linhagens de E. coli com resistência à colistina mediada por plasmídeo (MCR-1), para as quais a combinação CBD + PB foi antibacteriana somente na presença de Phe-Arg β-naphthylamide dihydrochloride (PAβN). A combinação CBD + PB também apresentou efeito aditivo e/ou sinérgico contra DGN que expressam LOS. Os resultados dos ensaios de time-kill mostraram que a combinação CBD + PB levou a uma maior redução no número de unidades formadoras de colônias por mililitro em comparação com CBD e PB sozinhos, nas mesmas concentrações usadas em combinação, e a combinação CBD + PB foi sinérgica para todos os quatro isolados de K. pneumoniae resistentes à PB avaliados. Os resultados obtidos mostram potencial translacional e o CBD deve ser mais explorado quanto ao reposicionamento como antibacteriano por meio de ensaios clínicos. A eficácia antibacteriana da combinação CBD + PB contra BGN MDR e XDR, destacando K. pneumoniae resistente à PB, é particularmente promissora.