Hidroxicloroquina na indução de remissão da hepatite autoimune em pacientes que persistem com atividade histológica leve após tratamento imunossupressor

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Evangelista, Andréia Silva
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5168/tde-07122023-171509/
Resumo: A hepatite autoimune (HAI) é uma doença hepática crônica de etiologia inflamatória, cuja base do tratamento é a imunossupressão com prednisona e azatioprina. Após a estabilização do tratamento e normalização das enzimas hepáticas e imunoglobulina G (IgG) ou gamaglobulina, o paciente é submetido à biópsia hepática de controle para avaliação da resposta ao tratamento e, para aqueles em que se persiste a atividade inflamatória, aumenta-se o imunossupressor. As drogas imunossupressoras apresentam inúmeros efeitos adversos, desde estéticos até risco de infecções e neoplasias. Além disso, não há uniformização sobre qual a melhor opção de aumento da dose da imunossupressão. A hidroxicloroquina (HCQ) é uma droga imunomoduladora utilizada em outras doenças autoimunes como lúpus e artrite reumatóide. Na HAI, ainda há poucas evidências que suportem o seu uso, porém um estudo do nosso grupo mostrou que a sua utilização diminuiu a chance de recidiva comparada ao placebo, quando utilizada para manutenção da remissão, após a suspensão da IS. Objetivo: Devido a necessidade de se obter opções terapêuticas para os casos de resposta histológica parcial e evitar o aumento da imunossupressão, o objetivo do presente estudo foi de avaliar o papel da HCQ na indução da remissão histológica dos pacientes que persistem com leve atividade periportal, após o tratamento imunossupressor. Métodos: 69 pacientes com diagnóstico de HAI, que apresentavam pelo menos 18 meses de tratamento estável com imunossupressor, cuja biópsia hepática realizada evidenciava atividade periportal discreta (APP2) de acordo com a Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), foram selecionados para o estudo. Neste estudo não-randomizado, 24 pacientes receberam HCQ e foram comparados com 45 pacientes (controles históricos) que tiveram a sua imunossupressão aumentada. Foi realizada a comparação entre as taxas de resposta e empregado o teste de não-inferioridade para se avaliar a utilidade da HCQ induzir a remissão histológica comparada ao aumento da IS. Resultados: As comparações entre os grupos não mostraram diferença estatística quanto às características demográficas, clínicas iniciais, e avaliação bioquímica e histológica do momento da inclusão do estudo, em que foi evidenciada APP2. Após a intervenção, houve diferença estatística significativa na redução dos níveis de IgG (1144 x 1335, p = 0,029) para os grupos HCQ e Aumento IS, respectivamente. A análise das biópsias após o uso da HCQ e Aumento IS mostrou taxas de sucesso 62,5% e 64,4%, respectivamente (p = 0,87). O teste de não-inferioridade considerando a diferença entre as proporções de sucesso não pôde mostrar a não-inferioridade da HCQ ao aumento da IS. Conclusão: O presente estudo nos permite concluir que a terapia com HCQ pode ser uma alternativa ao aumento da imunossupressão, em pacientes com HAI tratados com a terapia imunossupressora convencional, que ainda apresentam atividade periportal leve. Ainda que necessite de estudos adicionais, esses resultados constituem mais evidências do papel benéfico da cloroquina no tratamento da HAI, sem os efeitos colaterais da imunossupressão