Percepção de riscos ambientais e capacidade adaptativa às mudanças climáticas em sistemas socioecológicos no semiárido brasileiro
Ano de defesa: | 2021 |
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Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Tese |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal Rural de Pernambuco
Departamento de Biologia Brasil UFRPE Programa de Pós-Graduação em Etnobiologia e Conservação da Natureza |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | http://www.tede2.ufrpe.br:8080/tede2/handle/tede2/9335 |
Resumo: | A emergência atual das mudanças climáticas é uma realidade inquestionável, cujas projeções futuras são terríveis. Agroecossistemas localizados em regiões semiáridas são apontados como um dos mais vulneráveis às mudanças no clima, afetando tanto a paisagem natural como o modo de vida das populações humanas locais. Estas pessoas, por sua vez, por dependerem diretamente dos recursos naturais ofertados para a sua sobrevivência, além de estarem mais sensíveis e expostas aos efeitos adversos das mudanças ambientais, podem vir a perceber mais rapidamente as transformações ocorridas no ambiente e, consequentemente, desenvolver estratégias adaptativas a fim de mitigar os efeitos negativos oriundos dessas mudanças. Partindo dessas premissas, essa tese buscou investigar a percepção de risco, nos agroecossistemas e à saúde humana (doenças), por pequenos agricultores em sistemas socioecológicos no Semiárido brasileiro diante de eventos de mudanças climáticas extremas, bem como as estratégias adaptativas adotadas localmente, e como diferentes fatores podem estar direcionando esse processo. Estruturamos, pois, essa tese em torno de dois eixos investigativos: 1) Efeitos das mudanças climáticas nos agroecossistemas; e 2) Efeitos das mudanças climáticas na saúde humana – os quais apresentaram hipóteses relacionadas ao impacto das mudanças climáticas nos sistemas socioecológicos do semiárido. O primeiro eixo correspondeu ao capítulo Perceptions of risks related to climate change in agroecosystems in a semi-arid region of Brazil, cujo estudo, desenvolvido em comunidades rurais do Parque Nacional do Catimbau (situado entre o agreste e o sertão do Estado de Pernambuco). O segundo eixo, por sua vez, correspondeu ao capítulo Farmers’ perceptions of the effects of extreme environmental changes on their health: a study in the semi-arid region of Northeast Brazil, cuja pesquisa, realizada em comunidades rurais do Parque Nacional do Catimbau e na comunidade rural do Carão (Município de Altinho, Estado de Pernambuco). A coleta dos dados – dados socioeconômicos, anos com maior incidência de eventos climáticos extremos (secas e chuvas prolongadas), riscos percebidos (riscos ambientais, e doenças) e estratégias adaptativas desenvolvidas – ocorreram entre julho de 2018 e setembro de 2019, com pessoas adultas (acima de 18 anos de idade), e foram feitas por meio de diferentes técnicas e métodos, como censos, entrevistas semiestruturadas, listas-livres e Mapeamento Participativo de Risco, o que nos possibilitou acessar e avaliar quantitativamente os riscos ambientais percebidos pelas pessoas. Nossos resultados mostraram que: a) a experiência na atividade da agricultura e a experiência prévia com situações de risco explicam a quantidade de riscos ambientais percebidos por agricultores; b) o número de vezes que um risco é percebido e a gravidade a ele atribuída explica o número de respostas adaptativas desenvolvidas para mitiga-lo; c) a incidência e a severidade atribuída às doenças percebidas, conjuntamente, explicam a frequência de estratégias adaptativas utilizadas para lidar com os seus efeitos. Por fim, acreditamos que o nosso estudo poderá possibilitar uma maior compreensão sobre o grau de vulnerabilidade de sistemas socioecológicos em regiões semiáridas, o que poderá possibilitar ações em diferentes escalas, visando mitigar os efeitos das alterações do clima, e seus impactos no modo de vida das pessoas. |