O papel das plantas medicinais exóticas no tratamento de doenças da modernidade: um estudo no contexto de mercado em escala global

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: SILVA, Maria Lorena da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal Rural de Pernambuco
Departamento de Biologia
Brasil
UFRPE
Programa de Pós-Graduação em Etnobiologia e Conservação da Natureza
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.tede2.ufrpe.br:8080/tede2/handle/tede2/9330
Resumo: Doenças da modernidade são consequências do nosso estilo de vida e interação com o meio, sejam elas novas doenças (Covid-19), ou doenças que passaram a ser mais incidentes aos longos dos anos (câncer, depressão, diabetes). Essas doenças podem ser complexas para um sistema médico local, pois requer o reconhecimento de sintomas e tratamentos adequados que podem não ser familiares à população. Esse trabalho parte do pressuposto que espécies exóticas estão sendo priorizadas para tratamento de doenças da modernidade em sistemas médicos, à medida que estão mais acessíveis através do contexto de globalização, trazendo consigo um conjunto de informações já validadas por outras culturas. Ainda, no contexto de modificação de paisagem e hábitos culturais decorrente do processo de urbanização, tentamos identificar alguns padrões culturais e ambientais de utilização/inserção de plantas medicinais exóticas e nativas em sistemas médicos no tratamento dessas doenças. Tivemos como objeto de estudo os mercados públicos. Para isso, foi realizada uma revisão sistemática, buscando trabalhos em mercados em escala mundial, sendo incluídos um total de 33 artigos. Analisamos se existia uma maior proporção de espécies exóticas comercializadas no tratando doenças modernas quando comparadas a outras doenças, para tal, calculando o tamanho do efeito (espécies exóticas tratando doenças da modernidade e as demais) de cada estudo a partir da medida de Odds Ratio (OR), e após aplicamos o modelo de efeitos aleatórios. Logo mais, analisamos se fatores como a média total de cobertura vegetal em um raio de 10 e 100 km, distância dos mercados de coberturas vegetais de no mínimo 5 ha, e a taxa de urbanização, influenciam na escolha de espécies exóticas quando comparadas as nativas para o tratamento de doenças da modernidade. Para sabermos se tais fatores influenciavam na seleção das espécies, utilizamos um modelo de regressão linear simples para cada fator. Os resultados indicaram que tanto doenças da modernidade, como as demais doenças possuem a mesma proporção de espécies exóticas para seus tratamentos (Q= 43.4255, p= 0.0857), e que nem cobertura vegetal média em 10 km (R= 0.03525, p= 0.7376), 100 km (R= 0.03836, p= 0.8443) e a taxa de urbanização (R= -0.03818, p= 0.8357) influenciam na proporção de espécies exóticas e nativas tratando doenças da modernidade.Tais resultados podem ser influenciados pela sintomatologia das doenças. Algumas doenças da modernidade podem compartilhar com as demais doenças os mesmos conjuntos de sintomas, o que poderia resultar na mesma proporção de espécies exóticas em seus tratamentos. Além disso, os mercados são o resultado de diferentes fontes de conhecimento e lugares, o que os tornam complexos, e até mesmo mais diverso que o contexto local, e o que pode ter limitado a nossa pesquisa. Sendo assim, torna-se necessário a realização dessa pesquisa em comunidades locais e tradicionais, pois os resultados podem ser diferentes.