Avaliação da força muscular, funcionalidade e mobilidade em pacientes com COVID-19 internados em unidade de terapia intensiva (UTI) e no seguimento após alta da UTI

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Schmidt, Débora
Orientador(a): Sbruzzi, Graciele
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/258690
Resumo: Introdução: Muitos pacientes com formas graves e críticas da COVID-19 necessitam de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os que sobrevivem à doença crítica podem persistir com comprometimento nas habilidades físicas, mentais e/ou cognitivas mesmo após a alta da UTI e hospitalar, porém esses aspectos ainda são pouco explorados nestes pacientes. Objetivos: Esta tese apresenta os seguintes objetivos: 1o ) Avaliar a incidência de fraqueza muscular adquirida na UTI (FA-UTI), fatores associados e acompanhar a evolução da força muscular periférica (FMP) e da mobilidade física ao longo da internação hospitalar; 2º) Avaliar a força muscular respiratória (FMR) e a função pulmonar na alta hospitalar e sua associação com a FMP, tempo de ventilação mecânica (VM) e de internação hospitalar e uso de medicações; e 3º) Avaliar o impacto da FA-UTI na independência funcional ao longo de seis meses após a alta da UTI em pacientes que tiveram diagnóstico de COVID-19. Metodologia: Foi realizado um estudo observacional prospectivo incluindo pacientes com COVID-19 com internação em UTI >72h. Para responder aos objetivos propostos, dividimos o estudo em 3 etapas: 1ª) avaliação da FMP e mobilidade durante a internação e na alta hospitalar; 2ª) avaliação da função pulmonar, da FMR e FMP na alta hospitalar e 3ª) seguimento de até seis meses após a alta hospitalar para avaliação da limitação funcional. Resultados: Os resultados desta pesquisa resultaram na elaboração de três artigos de acordo com cada objetivo traçado. Artigo 1: A incidência de FA-UTI no despertar, alta da UTI e hospitalar foi 52%, 38% e 13%, respectivamente. O tempo de repouso no leito, para todos os pacientes (RR:1.14; IC95%:1.02-1.28; p=0.03 para cada semana de imobilismo), e o tempo de uso de corticóide para os que necessitaram de VM (RR:1.01; IC95%:1.00-1.03; p=0.01), foram fatores independentemente associados à FA-UTI. Os níveis de força e mobilidade física apresentaram melhora ao longo da internação, porém permaneceram menores nos pacientes com FA-UTI na alta hospitalar, em comparação aos sem FA-UTI. Artigo 2: Distúrbio ventilatório restritivo foi observado em 72% dos pacientes na alta hospitalar, além de redução da FMR [pressão inspiratória máxima (PImáx) de 74% e pressão expiratória máxima (PEmáx) 78% do predito]. A FMR apresentou correlação negativa com o tempo de VM e de internação hospitalar e positiva com a função pulmonar e a FMP. Artigo 3: Trinta dias após a alta da UTI 89,7% dos pacientes apresentavam alguma limitação funcional, reduzindo para 57,4% e 38,2% passados 3 e 6 meses, respectivamente. Os pacientes com 12 FA-UTI tiveram piores resultados quando comparados aos pacientes que não desenvolveram esta condição. Tempos prolongados de VM, restrição ao leito, permanência na UTI e no hospital estiveram correlacionados a piores resultados no estado funcional pós UTI. Conclusões: A incidência de FA-UTI é elevada no despertar da UTI, reduzindo ao longo da internação em pacientes admitidos na UTI por COVID-19. Pacientes que desenvolveram FA-UTI apresentam piores resultados de força muscular periférica e mobilidade na alta hospitalar e no estado funcional até 6 meses pós UTI. Por fim, esses pacientes apresentam ainda redução da força muscular respiratória e alteração da função pulmonar na alta hospitalar.