Doença falciforme em Porto Alegre : um marcador de peles negras e máscaras brancas?

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Ávila, Tatiane Maria Silva
Orientador(a): Martins, Aline Blaya
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/288415
Resumo: O objetivo deste estudo foi mapear as pessoas nascidas com doença falciforme no município de Porto Alegre no decênio 2009-2018 e sua relação com o marcador de raça/cor da população residente na cidade como forma de evidenciar as marcas e consequências do racismo estrutural que atravessam a distribuição socioespacial da Doença Falciforme (DF). Como percurso metodológico, optamos por um trabalho com metodologia mista. Inicialmente realizamos um estudo transversal descritivo onde foi confeccionado um mapa identificando e localizando as pessoas com doença falciforme nas regiões de saúde do município. Na sequência, com o intuito de demonstrar os atravessamentos e as consequências do racismo estrutural nas condições de vida dessa parcela populacional recorremos à epidemiologia crítica para analisar e interpretar as informações obtidas a luz do arcabouço teórico do materialismo histórico-dialético e de uma perspectiva crítico-emancipatória. Resultados e discussão: O estudo encontrou 43 casos de nascidos com DF distribuídos em 15 das 17 regiões do município, dos quais 17 foram declarados negros e 16 brancos, 1 declarado amarelo e 9 sem identificação desta informação. Diferente do esperado, os mapas construídos demonstraram falta de correspondência entre a localização dos casos de DF e a distribuição da população negra do município corroborando com a hipótese da existência de racismo estrutural, observado tanto na equivalência de distribuição dos casos entre negros e brancos quanto nas dificuldades do preenchimento deste dado na ficha da Triagem Neonatal, seja pela omissão das respostas, seja pelo não identificação ou reconhecimento da negritude. Surge ainda a hipótese de que alguns casos de DF não estejam sendo identificados pelo sistema devido às barreiras de acesso impostas pelo racismo estrutural que inviabiliza o acesso ao pré-natal e/ou disponibiliza com má qualidade as mulheres negras periféricas. Considerações: O estudo aponta a urgência de uma ampla transformação social com vistas a superação do racismo estrutural. Contribuições para a área da saúde coletiva: Este trabalho evidencia a necessidade urgente de ampliação e qualificação do acesso ao pré-natal para as mulheres negras periféricas, bem como ampla sensibilização dos trabalhadores do SUS para o preenchimento adequado do quesito raça/cor na ficha de Triagem Neonatal como forma de defesa irrestrita a vida das pessoas que vivem com DF e que precisam ter acesso ao cuidado qualificado desde a primeira infância.