Estresse por separação materna em ratos Wistar e programação do comportamento tipo ansioso na fase adulta em ambos os sexos : efeitos de dietas acrescidas com diferentes tipos de óleos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Souza, Regina Andressa Caetano de
Orientador(a): Dalmaz, Carla
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/276869
Resumo: A separação materna é um importante modelo de estresse precoce, sobretudo mimetizando os efeitos de negligência e consequentemente favorecendo respostas emocionais na fase adulta. Este trabalho utilizou a separação materna para verificar um possível comportamento do tipo ansioso. Foi observado que o estresse precoce promoveu alterações duradouras em parâmetros neurobiológicos, levando a diferenças significativas, com implicações potenciais para a vulnerabilidade ao comportamento do tipo ansioso. Além disso, o estudo considerou variações sexo-específicas. Motivados por atenuar o comportamento do tipo ansioso programado por separação materna, utilizamos como estratégia de tratamento uma dieta acrescida de ômega – 3- O3 em ratos Wistar, desde o período do desmame até o último dia de vida. Para identificar traços do comportamento do tipo ansioso foram aplicados testes clássicos, tais como labirinto em cruz elevado, campo aberto, entre outros, e nas medidas bioquímicas avaliamos os principais marcadores inflamatórios, atividade de astrócitos e função mitocondrial. No labirinto em cruz elevado, foi possível observar atenuação do comportamento do tipo ansioso em animais que passaram por separação materna- SM e que tiveram a ração O3, e também observamos que os machos realizam mais atividades exploratórias comparados às fêmeas. Esses resultados, contudo, não foram reproduzidos em outros testes comportamentais. No teste do claro, escuro, por exemplo, observa-se comportamento do tipo ansioso apenas em fêmeas que passaram por separação materna, que não foi atenuado por dieta enriquecida em O3. No teste da memória de extinção do medo condicionado, também observa-se que animais SM apresentam mais respostas de congelamento, e a dieta enriquecida em O3 também parece acentuar esse parâmetro. Dentre outros parâmetros analisados, inesperadamente identificamos que machos separados e com dieta ômega-3 apresentavam níveis superiores nas expressão dos marcadores inflamatórios na IL-6, IL-1β e no TNF-α. Do mesmo modo, machos SM que receberam dieta enriquecida em O3 apresentaram menor massa mitocondrial na amígdala; contudo, esse mesmo grupo apresentou aumento da glutamina sintetase nessa estrutura. Nossos dados deixam evidente os efeitos deletérios do estresse precoce ao promover vulnerabilidade ao comportamento do tipo ansioso na fase adulta, e sugerem ainda que efeitos induzidos por intervenções precoces como a SM dependem do tipo de dieta recebida. Tanto em diversos testes comportamentais, como nas respostas inflamatórias no tecido neuronal da amígdala. Entendemos, contudo, que sejam necessários outros experimentos para uma melhor compreensão dos efeitos de estresse precoce sobre os parâmetros mensurados, e de como a dieta recebida pode interferir nesses resultados.