Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2023 |
Autor(a) principal: |
Santos, Lisiane Vieira dos |
Orientador(a): |
Olschowsky, Agnes |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Palavras-chave em Inglês: |
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Link de acesso: |
http://hdl.handle.net/10183/284742
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Resumo: |
Este estudo analisa as repercussões psicossociais do racismo a partir da vivência de mulheres negras ativistas em movimentos sociais de Porto Alegre. A luta contra o racismo inicia a partir de atuações de mulheres que experienciaram e vivenciaram as consequências sociais e de saúde deste fenômeno. Como forma de resistência, a atuação em movimentos sociais é também espaço de fortalecimento e sofrimento, pois acaba por ser o lugar onde a subjetividade de cada mulher ativista revela experiências e formas de combater situações. Embora recorrente, os efeitos dessas vivências entre esse grupo de mulheres são pouco abordados e explorados. Por ter vivenciado esses fenômenos de forma ativa, na condição de mulher negra, mãe, enfermeira e ativista, busco na pesquisa qualitativa conseguir identificar os dispositivos que viabilizem o fortalecimento das mulheres ativistas, e que tais experiências sirvam de fio condutor para a mudança na formação de enfermeiras(os) no campo da saúde mental. A pesquisa qualitativa, proporciona o entendimento de temas sociais, oportunizando compreender a lógica interna de grupos, instituições e atores sobre sua história, relações entre indivíduos, instituições e movimentos sociais, considerando os processos histórico-sociais na implementação de políticas públicas. Com base em Cardano, que reforça que o método qualitativo permite que o conteúdo experienciado subsidie a análise do tema, o objetivo da pesquisa foi analisar as repercussões psicossociais do racismo e do sexismo em mulheres negras ativistas. O cenário do estudo foram dois movimentos sociais de mulheres negras de Porto Alegre, onde cinco integrantes dos coletivos escolhidos puderam expressar suas experiências e vivências raciais e de gênero. Foram realizadas entrevistas e grupo focal no mês de janeiro de 2023. A pesquisa foi aprovada com parecer CAEEC 64395922.0.0000.5347. Como resultado, observou-se que o racismo é presente na vida de tais mulheres desde a infância e que o ativismo é um instrumento de luta e resistência. O estudo intersecciona as experiências de discriminação, preconceito, estigma e vulnerabilidade às quais as pessoas negras estão expostas. Surge a experiência silenciada da solidão da mulher negra e a necessidade urgente de autocuidado em coletivos que concentram ativistas com pautas tão dolorosas como o racismo. Ao final, destaca-se a necessidade da continuidade de estudos, em especial no campo da Enfermagem, sobretudo com enfoque no aprofundamento da análise do impacto do racismo na sociedade como marcador de adoecimento da população negra. O racismo segue atuando na pesquisadora, dando força para lutar e combater o sofrimento e, por vezes, pensamentos de inferioridade, mesmo estando na condição de empoderamento.Esta pesquisa fomentou o debate do tema na Escola de Enfermagem e Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desenvolvendo atividades acadêmicas: projetos de extensão Setembro Amarelo, Novembro Negro e estudo independente sobre Frantz Fanon e Neusa Santos Souza. Reconheço que os avanços e os resultados afloraram sentimentos marcados por histórias de vidas de lutas, vitórias, fortalecimento , sofrimento e que não serão silenciados. Porém, segue sendo necessário o reconhecimento das repercussões psicossociais do racismo em mulheres negras e, deve ser pauta na formação de profissionais de enfermagem e saúde. A temática não se esgota e este estudo fortalece a constante luta e força do ativismo, pois sempre vivemos nos contrapondo ao sofrimento causado pelo racismo. |