Avaliação da informação e desinformação em saúde na internet : análise da qualidade e acurácia do conteúdo online utilizando o óleo de coco como modelo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Amazarray, Carmen Raya
Orientador(a): Gerchman, Fernando
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/236453
Resumo: Nos últimos anos, a rápida popularização da Internet proporcionou maior acesso à informação, sendo que, atualmente, é a primeira e uma das principais fontes para obtenção de informações de saúde. Por um lado, o maior alcance ao conhecimento torna os usuários mais aptos a participar ativamente de suas decisões de saúde. Por outro, o conteúdo disponível nas redes circula sem qualquer obrigatoriedade de controle editorial, sendo assim, as informações obtidas são, muitas vezes, imprecisas, inconsistentes, enviesadas e sem concordância com as evidências científicas atuais. Além disso, sabe-se que a população, de um modo geral, apresenta baixa alfabetização em saúde, comprometendo a adequada interpretação e emprego das informações adquiridas. Como consequência, os usuários tornam-se vulneráveis, o que pode acarretar implicações prejudiciais à nível de saúde individual e coletiva. A desinformação em saúde, ou seja, a disseminação de informações erradas, imprecisas e tendenciosas amplificou-se com o uso da internet e decorre de um conjunto complexo de fatores, que vão desde características inerentes à psicologia humana até o forte caráter comercial que permeia todos os espaços de interatividade da rede. A infodemia, isto é, o excesso de informações conflitantes sobre determinado assunto, tem se mostrado um problema de saúde pública e a necessidade de desenvolver formas eficazes de combatê-la tem incentivado novas pesquisas em diversas áreas do conhecimento. O óleo de coco é constituído mais de 90% de gordura saturada, que se relaciona com o aumento do LDL-c, um reconhecido fator de risco cardiovascular. Na última década, baseado em fracas evidências e pressupostos mecanismos de ação envolvendo o ácido láurico, seu principal ácido graxo, propagou-se intensamente na mídia o efeito benéfico do consumo do óleo de coco para a saúde cardiometabólica. Este fenômeno conduziu a um aumento expressivo na popularidade e no consumo mundial do óleo de coco. Portanto, o objetivo deste trabalho foi avaliar a qualidade e acurácia do conteúdo online disponível sobre o óleo de coco e saúde cardiometabólica que pode ser útil, tanto para desconstruir conceitos distorcidos a respeito deste alimento, bem como contribuir com uma metodologia de pesquisa para futuros estudos infodemiológicos na área da nutrição e definir modelos que ajudem elaborar estratégias de prevenção da desinformação em nutrição. Demonstramos que as informações disponíveis em sites da internet sobre os benefícios do óleo de coco são, de uma maneira geral, tendenciosas, imprecisas e em desacordo com a melhor evidência científica vigente. Além disso, há características das mídias que se relacionam com uma maior qualidade do conteúdo, facilitando a identificação de informações mais precisas e acuradas. Estes dados demonstram a necessidade de um maior número de estudos que auxiliem no preenchimento de lacunas entre as evidências científicas e as informações disponíveis em mídias digitais, direcionando, de forma mais específica e precisa, as iniciativas de saúde pública no combate à desinformação, permitindo a promoção de informações em nutrição que levem o público a realizar escolhas alimentares mais adequadas.