Avaliação de células tronco tumorais no câncer de pãncreas por imunohistoquímica Tissue Microarray

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Rodrigues, Camila Juliano Salvador
Orientador(a): Bianchin, Marino Muxfeldt
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/213303
Resumo: Introdução: O adenocarcinoma ductal pancreático (ADP) é uma doença altamente agressiva usualmente diagnosticada em estágio avançado e para a qual poucas terapias efetivas estão disponíveis. É uma neoplasia cuja incidência é quase igual à mortalidade. A razão pela qual o câncer de pâncreas apresenta prognóstico tão reservado e o porquê da baixa resposta terapêutica ao tratamento quimio e radioterápico ainda são questões que têm motivado a busca de uma resposta que possa, de alguma maneira, modificar o curso desta neoplasia. Entre processos mais recentemente envolvidos na carcinogênese e progressão tumoral, as alterações em células tronco tumorais (CSCs, do inglês cancer stem cells) são processos ainda pouco estudados no câncer de pâncreas, sem resultados satisfatórios, merecendo, portanto, maiores esforços na elucidação do seu comportamento e relação com a aquisição do fenótipo maligno pancreático. Recentes evidências têm sugerido que as CSCs desempenham um papel crucial não só na geração e manutenção de diferentes tecidos, mas também no desenvolvimento, progressão e resistência terapêutica de diferentes tipos tumorais. Objetivos: Estudar o perfil de expressão de marcadores de CSCs no adenocarcinoma ductal pancreático por técnica de imunohistoquímica. Isso será realizado por meio da análise do perfil de marcação de células pancreáticas tumorais pelos anticorpos CD24, CD133 e Oct4 utilizando a técnica de tissue microarray em peças provenientes de resseção pancreática e biópsias e posterior correlação dos achados com dados clínicos, resposta terapêutica, sobrevida global e livre de doença dos pacientes incluídos no estudo, a fim de determinar o papel prognóstico dos marcadores anteriormente descritos. Materiais e métodos: Uma análise clinicopatológica, retrospectiva, foi realizada em 112 pacientes diagnosticados com câncer de pâncreas entre os anos de 2005 e 2010, e realizado estudo imunohistoquímico com os anticorpos CD133, CD24 e Oct4 pela técnica de Tissue Microarray para a detecção de células com fenótipos de células tronco tumorais, com posterior correlação dos resultados com dados clínicos, de progressão tumoral, resposta terapêutica e sobrevida. As amostras do estudo compreendem casos de Adenocarcinoma ductal pancreático, os quais foram selecionados a partir da rotina assistencial do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, junto ao Serviço de Patologia. Marcação nuclear ou citoplasmática positiva para cada anticorpo foi medida quanto à intensidade, sendo classificadas dicotomicamente em grupos de baixa/moderada intensidade ou forte. Os resultados foram analisados em relação aos parâmetros clinicopatológicos de cada paciente. Resultados: Os três marcadores de células tronco tumorais (CTTs) testados exibiram positividade nas células neoplásicas do câncer de pâncreas, corroborando com a hipótese da existência de CTTs no desenvolvimento e manutenção do fenótipo agressivo pancreático. Observou-se associação significativa entre a presença de alguns marcadores de células tronco-tumorais com variáveis de pior prognóstico, como a presença de metástase (p = 0,037), e tipo de tratamento realizado (apenas possibilidade de tratamento paliativo; p = 0,019). O grau de diferenciação tumoral mostrou relação, embora não significativa, com a positividade dos anti-corpos, onde o CD133 e CD24 mostraram uma prevalência alta em tumores pouco diferenciados, mais agressivos, enquanto que as células que expressaram o anti-corpo OCT4 exibiram maior potencial de diferenciação. A marcação positiva ao longo do estágio TNM mostrou-se uniforme, não se amplia conforme o estágio progride, estando presente desde os estágios iniciais do tumor. Sobrevida global e livre de doença não mostrou relação com a expressão dos anti-corpos. Conclusão: A expressão de células tronco-tumorais em amostras de Adenocarcinoma ductal pancreático indica a presença dessas células no processo de carcinogênese e desenvolvimento tumoral, com manutenção do fenótipo maligno pancreático e resistência terapêutica.