Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2018 |
Autor(a) principal: |
Conceição, Eduardo Leal |
Orientador(a): |
Bianchin, Marino Muxfeldt |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Palavras-chave em Inglês: |
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Link de acesso: |
http://hdl.handle.net/10183/188874
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Resumo: |
Base teórica: A epilepsia do lobo temporal Mesial (ELTM) associada à esclerose Hipocampal (EH), corresponde à forma mais frequente de epilepsia focal refratária à medicação. Para esses pacientes, o tratamento cirúrgico tem se mostrado eficaz no controle das crises. Porém, a ressecção do foco epileptogênico temporal mesial pode trazer prejuízos cognitivos à memória, visto a importância dessas estruturas cerebrais para essa esfera. Testes psicométricos padronizados são recursos que auxiliam na verificação da eloquência cognitiva das regiões a serem extirpadas. Eles também podem mensurar o impacto da cirurgia nas funções mentais quando o indivíduo é testado nos períodos prévio e posterior à intervenção cirúrgica. Porém, erros de medida são frequentes em retestagens neuropsicológicas. Isso é decorrente da prática e também devido à avaliação intersubjetiva e estado emocional do paciente. Para minimizar esse possível viés de aferição, utiliza-se um índice para medir com precisão a mudança real cognitiva individual, chamado Índice de Mudança Confiável (RCI). Objetivo: Essa investigação busca identificar mudanças confiáveis individuais de memória em pacientes com ELTM que realizaram procedimento neurocirúrgico para controle das crises. Métodos: Em um estudo de coorte retrospectivo, foram analisadas as testagens prévias e posteriores de memória de 201 pacientes com ELTM associada à EH, tratados cirurgicamente. Utilizamos a Escala de Memória de Wechsler Revisada (WMS-R). Os escores foram padronizados de acordo com uma população controle de 54 indivíduos saudáveis de idade e escolaridade semelhantes, submetidos à um índice RCI, com intervalo de confiança de 90%, para verificação das alterações individuais de memória, onde RCI >1.645 indicaram melhora confiável, RCI <-1.645 piora confiável e -1.645<RCI<1,645, estabilidade. Os pacientes foram divididos em dois grupos de acordo com o hemisfério cerebral atingido pela doença. Mudanças estatisticamente significativas do grupo também foram analisadas a partir de um teste t de Student. Foi realizada uma regressão linear múltipla com os RCI dos dois tipos de memória avaliados pelo WMS-R: lógico-verbal (MLV) e visual (MV) como variáveis dependentes a fim de identificar possíveis fatores sociodemográficos e clínicos preditores de mudança confiável. Valores de p>0,05 foram classificados como estatisticamente significativos. Resultados: Nossa amostra foi constituída por 112 (56%) pacientes com a EH no hemisfério cerebral esquerdo (HE) e 89 (44%) no hemisfério cerebral direito (HD). Não houve diferença significativa entre nenhuma variável sociodemográfica e clínica entre os grupos. Porém, em relação às variáveis neuropsicológicas, pacientes com a lesão no HE demonstraram escores de desempenho de memória lógico-verbal imediata e tardia estatisticamente inferiores (p<0,05), tanto antes, quanto depois do procedimento neurocirúrgico. Pacientes que operaram o HD, obtiveram uma melhora de grupo significativa de MLV tardia em relação à re-testagem (P<0,05). Quanto aos RCI dos pacientes com a doença no HD, 6 (7%) obtiveram escores de melhora confiável (RCI>1,645) em relação à MLV e 7 (8%) na MV - o percentual de melhoras foi maior do que o de pioras. Nos pacientes que operaram o HE,3 (3%) obtiveram escores de melhora confiável tanto para MLV tardia, quanto para MV – e o percentual de pioras foi maior do que o de melhoras confiáveis: 5 (4%) para MLV e 6 (5%) MV. As variáveis HE e idade tardia na primeira crise epiléptica foram fatores preditivos para piora na MLV tardia (p<0,05) após a cirurgia. Não foram identificados preditores de mudança confiável para MV tardia. Conclusão: Em relação às mudanças confiáveis individuais de memória, pacientes que operaram o HD obtiveram um maior percentual de melhora confiável, tanto nos escores de MV, como MLV. Identificamos um funcionamento basal deficitário de MLV em pacientes com a lesão no HE. Também, uma melhora estatisticamente significativa de MLV, de forma grupal, em pacientes que realizam a cirurgia de ressecção do foco epileptogênico à direita. Ter o foco epileptogênico no EH e idade de início tardio da primeira crise mostraram-se como fatores preditivos para piora confiável de MLV. Não foram identificados preditores de mudança confiável para MV. |