Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2018 |
Autor(a) principal: |
Cardinal, Tiago Madeira |
Orientador(a): |
Caumo, Wolnei |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
|
Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
|
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
|
Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
País: |
Não Informado pela instituição
|
Palavras-chave em Português: |
|
Link de acesso: |
http://hdl.handle.net/10183/189237
|
Resumo: |
Introdução: A Fibromialgia (FM) é uma síndrome caracterizada por dor crônica musculoesquelética difusa, hiperalgesia, fadiga crônica, alterações do ritmo sono-vigília, sintomas neurovegetativos e depressivos. A principal comorbidade psiquiátrica encontrada nestes pacientes é a depressão, com uma prevalência de sintomas depressivos que varia de 9,2 % a 90% e do diagnóstico de depressão maior de 25% a 58%. A fibromialgia e a depressão compartilham diversos fatores psicossociais, neurobiológicos, etiológicos e fisiológicos; todavia, a relação entre essas duas patologias ainda é pouco elucidada. Sabese que pacientes deprimidos apresentam maior incidência de quadros dolorosos quando comparados com a população geral e que depressão associa-se à redução do limiar e da tolerância à dor, tanto na população geral quanto em indivíduos com fibromialgia. Além disso, a dor crônica também pode ser um fator desencadeante de quadro depressivo. No entanto, não é possível estabelecer uma relação do tipo causa-efeito. Portanto, persiste uma lacuna no conhecimento sobre potenciais mecanismos neurobiológicos envolvidos na disfunção a nível cortical e infra-cortical. Sobretudo, estudos que tenham como alvo a compreensão dos mecanismos que permeiam o desajuste nos mecanismos de neuroplasticidade que sustentam os quadros sindrômicos da fibromialgia e depressão e para compreender processos disfuncionais compartilhados por estas duas doenças Objetivo: comparar os parâmetros de excitabilidade cortical (potencial evocado motor (MEP), inibição intracortical (SICI), facilitação intracortical (ICF) e período silente (CSP), a função do sistema modulador descendente da dor e as relações destes parâmetros com as concentrações séricas do marcador de neuroplasticidade derivado do cérebro (BDNF) em fibromiálgicas, deprimidas e controles. Nossa hipótese foi que tanto nas fibromiálgicas quanto nas deprimidas comparadas com as saudáveis haveria maior desibinição intracortical. Enquanto apenas as fibromiálgicas apresentariam uma disfunção no DPMS comparadas com as pacientes DM e saudáveis. Métodos: Foi delineado um estudo transversal com 63 mulheres, destras, com idades entre 18 e 75 anos. Os critérios de inclusão para os grupos i) fibromialgia (n=17) ii) Transtorno depressivo maior (DM) (n=18) e iii) controle (n= 28) foram, respectivamente: i) diagnóstico de FM por especialista, há pelo menos seis meses; ii) critérios diagnósticos de acordo com o DSM-V aplicados por médico psiquiatra e ausência de dor crônica e sem uso de medicações analgésicas de forma recorrente (período superior há 3 dias na semana) e iii) mulheres sem história de dor crônica, ausência de transtornos psiquiátricos ou de abuso de psicotrópicos e de doenças crônicas sem controle clínico Os indivíduos foram avaliados em uma aferição única quanto à excitabilidade cortical (potencial evocado motor, facilitação e inibição intracorticais e período silente) pela TMS, sistema modulatório descendente da dor (DPMS) (por meio de teste psicofísico conditionated pain modulation task- CPM-task) e marcador sérico de neuroplasticidade, BDNF. A comparação entre os grupos das médias das variáveis será foi realizada por meio de MANCOVA. Resultados: A análise com MANCOVA mostrou que a média da SICI foi 53.40% maior na FM comparada com DM [1.03 (0.50) vs. 0.55(0.43), respectivamente. A potencia inibitória do Sistema Modulatório Descendende da Dor (DPMS) medido pela mudança no NPS (0-10) durante o CPM-task foi 112.29 % mais baixo na FM comparado a DM [0.22 (1.37) vs. - 0.87 (1.49)]. A média do BDNF da FM comparado com a DM foi 35.70 [49.82 (16.31) vs. 14.12 (8.86)]. Na FM o coeficiente de Spearman`s Rho entre a mudança na NPS (0-10) durante o CPM-task com o SICI foi -0.49, [intervalo de confiança (CI) 95%; -0.78 to -0.03)]. O índice do BDNF-adjustado foi positivamente correlacionado com a desinibição do DPMS. Conclusões: Os resultados suportam a hipótese de que a SICI e uma baixa função do DPMS, juntos com altos níveis de BDNF indicam que a FM tem um substrato fisiopatológico diferente da DM. Os achados sugerem que na FM ocorre um fenômeno de up-regulation de inibição intracortical com uma disruptura no DPMS. |