Pressão ambiental em bacias hidrográficas do Pampa e sua relação com ictiofauna

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Meneses, Bruna Arbo
Orientador(a): Becker, Fernando Gertum
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/212831
Resumo: Classificações de bacias hidrográficas baseadas em indicadores de pressão ambiental permitem caracterizar gradientes de degradação potencial que podem estar relacionados à conservação da biota. Por exemplo, é plausível assumir que existe uma relação negativa entre diversidade de espécies e pressão ambiental como fundamento para uso de mapas de pressão na priorização de bacias para conservação, mas esse é um pressuposto que deve ser validado, sob pena de o objetivo de conservação (como diversidade) não ser efetivamente afetado por ações de conservação baseadas nos fatores de pressão. Neste trabalho, apresentamos um diagnóstico de pressão ambiental em 3359 bacias de 3a ordem no bioma Pampa e utilizamos estes resultados para testar a existência de relação com características da ictiofauna. Definimos o grau de pressão sobre as bacias como um índice global composto por seis indicadores e realizamos projeções considerando cinco diferentes configurações de pesos para esses indicadores. Consideramos como bacias de referência aquelas que atenderam a uma das seguintes condições: 1) apresentarem valor zero para todos os fatores de pressão, ou 2) estarem entre as 10% menos pressionadas em cada subunidade regional. O dados de ictiofauna foram obtidos em 52 bacias hidrográficas de 3a ordem, sendo cada bacia representada com amostragem por pesca elétrica em 150 m de riacho. Foram ainda discriminadas 13 subunidades regionais definidas pela combinação de ecorregiões aquáticas e fisionomias campestres. Todas as bacias mostraram a presença de pelo menos um indicador de pressão, sendo que bacias de referência foram identificadas somente em duas subunidades regionais. Há uma proporção elevada de bacias (acima de 50%) com níveis intermediários a altos de pressão no bioma Pampa, sendo tais proporções variáveis entre subunidades fisionômicas de campo e subunidades ecorregionais aquáticas. Ao buscar relações entre os fatores de pressão e características da ictiofauna, verificamos que a composição taxonômica está relacionada com agricultura e espelhos d’água (representados principalmente por açudes). Verificamos ainda que a riqueza taxonômica está relacionada negativamente com agricultura. Riqueza funcional, composição funcional e porcentagens de espécies raras e comuns não apresentaram relação com o gradiente de pressão. Os resultados mostram que apenas parte das características ecológicas da ictiofauna possui relação direta com grau de pressão ambiental em bacias hidrográficas, indicando que a validade do uso de fatores de pressão como proxies depende de quais características de ictiofauna são consideradas. Portanto, para que os resultados de estratégias regionais de conservação de ictiofauna sejam eficientes, o mapeamento de fatores de pressão deve ser baseado na definição adequada de alvos e complementado por testes sobre sua relação com os alvos de conservação.