Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2024 |
Autor(a) principal: |
Peruzzo, Juliano |
Orientador(a): |
Bonamigo, Renan Rangel |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Palavras-chave em Inglês: |
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Link de acesso: |
http://hdl.handle.net/10183/283979
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Resumo: |
BASE TEÓRICA A rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele que causa grande morbidade aos pacientes que a possuem. De etiologia multifatorial e ainda não completamente compreendida, sua patogênese envolve microrganismos, desregulação neurovascular, fatores genéticos, imunológicos e ambientais. Alterações na composição do microbioma cutâneo e também intestinal nesses pacientes foram evidenciadas. Este último, podendo causar alterações cutâneas através do eixo intestino-pele. Além disso, peptídeos antimicrobianos, como a catelicidina, cuja produção está relacionada ao antígeno de determinadas bactérias e à vitamina D, estão associados à patogênese da rosácea. Além disso, alterações vasculares são frequentes na rosácea e o ácido tranexâmico, medicamento inibidor da angiogênese e da neovascularização, atua diminuindo a expressão de LL-37 (metabólito ativo da catelicidina) e tem sido estudado como alternativa terapêutica na rosácea. OBJETIVOS Caracterizar a microbiota intestinal e verificar as taxas de catelicidina e vitamina D séricas dos pacientes com rosácea e compará-la aos pacientes sem, além de avaliar uma possível associação entre as taxas e a microbiota. Além disso, outro objetivo é avaliar a resposta clínica e o impacto na qualidade de vida apresentada dos pacientes que fizeram uso do ácido tranexâmico para a rosácea. MÉTODOS Trata-se de estudo transversal com ensaio clínico aberto não controlado aninhado. Os pacientes são portadores de rosácea com mais de 18 anos e os controles são pareados por idade e gênero. Os pacientes não podem estar usando nenhum tipo de tratamento tópico 2 semanas antes da inclusão ou sistêmico 4 semanas antes. Além disso, foram excluídos pacientes que fizessem uso de medicação que pudessem interferir nos níveis de vitamina D, as gestantes e lactantes e os pacientes com condições cutâneas que interferissem na análise da pele. RESULTADOS Foram incluídos 22 casos e 22 controles para avaliação da microbiota intestinal e dos níveis de catelicidina e vitamina D séricos. Foram perdidos dois pacientes para a avaliação da microbiota intestinal no momento do processamento das amostras. Não houve diferença entre os níveis de catelicidina sérica entre os grupos - média grupo rosácea 100,3ng/mL, média grupo controle 117,4ng/mL (p=0,096); diferença -17.1 (IC 95% -37.5 to 3.3). O mesmo foi observado em relação aos níveis de vitamina D - média grupo rosácea 25,6ng/mL, média grupo controle 29,9ng/mL (p=0,263); diferença -4,28 (IC 95% 12,0 a 2,5). Em relação à microbiota intestinal, 21 amostras do grupo da rosácea e 17 amostras dos controles foram análisadas. Houve predomínio dos filos Bacillota e Actinomycetota, das famílias Lachnospiraceae e Ruminococcaceae e dos gêneros Blautia, Dorea, Bifidobacterium e Streptococcus. No estudo aninhado com o ácido tranexâmico tópico, foram avaliados 28 pacientes. As avaliações foram feitas antes de iniciar o tratamento e 60 dias após o seu uso. Os pacientes apresentaram uma redução significativa no IGA ao término do tratamento (p 0,001), bem como na gravidade das pápulas e pústulas (p 0,018) e do flushing (p 0,001). Apesar disso, não houve melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes medidas pelo DLQI e pelo RosaQoL. CONCLUSÃO Não houve diferença entre os níveis de catelicidina séricos e vitamina D entre os grupos, assim como na composição da microbiota intestinal entre os grupos. O ácido tranexâmico parece ser uma alternativa promissora de tratamento para a rosácea, especialmente nos subtipos papulopustuloso e eritematotelangiectásico. Estudos com maior número de pacientes e com grupo controle podem corroborar nossos achados. |