A história única sobre maternidade e trabalho: relação entre comunicação e violência no contexto organizacional

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Caglioni, Cassiana Anunciata [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/257814
http://lattes.cnpq.br/6820509218332265
Resumo: Falar de maternidade e de mundo do trabalho parece ser uma conta que nunca fecha, já que as demandas de cuidados foram culturalmente impostas pelo patriarcado às mulheres e o sistema capitalista, que avalia o rendimento pelo tempo de dedicação exclusiva ao trabalho, deixa um abismo para muitas mulheres, principalmente às mães. Acrescenta-se a essa conta um discurso antigo e atual/neoliberal de organizações que, na necessidade de mão (mãe) de obra, buscam tornar socialmente mais palatável a exploração dessas mães. Nesse sentido, a comunicação no contexto das organizações (Ferrari; Cabral, 2019) pode se tornar validadora de práticas discursivas/socioculturais violentas com relação à maternidade no mundo do trabalho e ainda dar continuidade outros a tipos de violências (Galtung, 1969) naturalizando uma violência organizacional (Cabral; Gonçalves; Salhani, 2018). A partir das reflexões de Adichie (2019) sobre “os perigos da história única”, pesquisamos sobre a percepção de sete mães trabalhadoras e duas mães gestoras da cidade de Bauru/SP em relação ao discurso que organizações produz a respeito da maternidade e trabalho: como elas se percebem como seres de direitos diante destes discursos? Partimos da hipótese de que as histórias únicas reproduzidas e naturalizadas pelas narrativas organizacionais seduzem, padronizam, silenciam e invisibilizam as violências que mulheres mães trabalhadoras sofrem no mundo do trabalho em relação à maternidade. Desse modo, o objetivo geral é analisar a percepção de mulheres mães trabalhadoras sobre as narrativas organizacionais em relação a assuntos sobre maternidade/trabalho. Para atender este objetivo, o percurso metodológico adotou uma combinação de metodologias para abordar a complexidade do fenômeno. Por meio de questionário online e entrevistas semiestruturadas, buscamos analisar a percepção dessas nove mães sobre as narrativas organizacionais sobre maternidade/trabalho, identificando a produção de sentidos e práticas de violências que reproduzem e naturalizam histórias únicas que as simplificam e as estigmatizam. Como resultados, ainda que com uma amostra reduzida de participantes, a abordagem qualitativa das entrevistas em profundidade permitiu explorar aspectos em detalhes que ofereceram amplitude na análise, o que corrobora para compreender distintos aspectos e fatores que incidem na complexidade do fenômeno. Desse modo, por meio de análise de conteúdo (Bardin, 2011), compreendemos que a comunicação nas organizações reforça determinadas narrativas que naturalizam tais histórias a tal ponto que, mesmo que as mães percebam e reconheçam violências no mundo do trabalho, ainda existe um discurso potencialmente capaz de seduzir sobre a lógica do neoliberalismo e patriarcado, padronizando práticas de violência, exigindo o 100% dessas mães, sobrecarregando-as nos cuidados domésticos, familiares e no trabalho ao mesmo tempo, assim como silenciando e invisibilizando suas histórias, que são singulares e repletas de desafios, inclusive nas organizações.