Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2020 |
Autor(a) principal: |
Lima, Caroline Sprengel |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
|
Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
|
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
|
Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
País: |
Não Informado pela instituição
|
Palavras-chave em Português: |
|
Link de acesso: |
http://hdl.handle.net/11449/192745
|
Resumo: |
Um dos maiores problemas sanitários encontrados pela pecuária são os nematoides gastrintestinais (NGIs), os quais causam perdas significativas aos pecuaristas de pequenos ruminantes. O controle de NGIs é realizado com base na administração repetida e imprópria dos anti-helmínticos (AHs) convencionais, havendo uma crescente presença de resíduos no meio ambiente ou em produtos de consumo. Acima de tudo, o desenvolvimento de resistência em populações de NGIs tornou-se um problema mundial. A fim de preservar a saúde dos hospedeiros, bem como retardar a resistência, torna-se necessário identificar métodos alternativos ao uso de AHs, tais como o uso de plantas, seus extratos e substâncias. Pterogyne nitens Tul. (Fabaceae), árvore nativa brasileira, apresenta indicações de uso popular como vermífugo, bem como de diversas substâncias bioativas, tais como: ácidos fenólicos, flavonoides, alcaloides guanidínicos, terpenos e esteróis. O presente estudo teve como objetivo investigar os efeitos de extratos e substâncias de P. nitens em diferentes estágios do ciclo de vida de três isolados susceptíveis originários do Brasil e da França de duas espécies de NGIs, Haemonchus contortus e Trichostrongylus colubriformis. Foram preparados três extratos etanólicos a partir das folhas (EEL), frutos (EEFR) e flores (EEFL); e oito substâncias fenólicas isoladas [duas flavonas (sorbifolina e pedalitina), dois flavonóis (quercetina e rutina), um flavan-3-ol (ourateacatequina) e três ácidos fenólicos (ácido caféico, ácido ferúlico e ácido gálico)]. E, adicionalmente, dois flavonoides (crisina e morina) foram obtidos comercialmente da Merck®, para auxiliar os estudos de relação entre estrutura química e atividade anti-helmíntica. Os extratos e substâncias foram avaliados contra eclosão de ovos, desenvolvimento larval (L1 para L3) e desembainhamento larval (L3). O EEFL não foi testado nos ensaios, pois sua massa obtida foi suficiente apenas para o isolamento das substâncias. Além de ser uma parte da planta de difícil acesso, em que se dá apenas uma vez e em poucos meses do ano. Ambos extratos etanólicos demonstraram potente atividade anti-helmíntica in vitro contra as duas espécies de NGIs nos três ensaios analisados. No ensaio de eclosão de ovos, o extrato etanólico de folhas (EEL, de 2,9 mg/mL e 316 µg/mL) apresentou atividade anti-helmíntica duas vezes mais potente do que o extrato etanólico de frutos (EEFR, 5,9 mg/mL e 512 µg/mL) contra T. colubriformis e H. contortus, respectivamente. No ensaio de desenvolvimento larval, EEL e EEFR apresentaram valores de EC50 de 8,9 e 20 µg/mL contra T. colubriformis, e EC50 de 47 e 35 µg/mL contra o isolado brasileiro de H. contortus, respectivamente. No caso do ensaio de desembainhamento larval, os valores de EC50 de ambos extratos variaram de 78,6‒158 µg/mL para os três isolados de ambas espécies de NGIs. Esses resultados nos encorajaram a investigar as substâncias que poderiam ser responsáveis pela atividade anti-helmíntica dos extratos etanólicos. Ácidos fenólicos e flavonas foram os mais ativos contra a eclosão de ovos (0,56–4,93 µg/mL) e desenvolvimento larval (18 e 83 µg/mL) do isolado brasileiro de H. contortus, respectivamente. Quercetina foi a substância mais ativa contra eclosão de ovos (0,4 µg/mL) e o desenvolvimento larval (100 µg/mL) de T. colubriformis. Além disso, apresentou eficácia de 1,62 e 5,83 µg/mL contra o desembainhamento larval dos isolados francês e brasileiro de H. contortus, respectivamente. Vale ressaltar que este é o primeiro estudo avaliando a atividade antihelmíntica de P. nitens, bem como algumas substâncias contra H. contortus e T. colubriformis. Contudo, análises in vivo, incluindo estudos de eficácia e segurança, são necessários para melhor entendimento da atividade anti-helmíntica dessas substâncias. |