Mercados institucionais para a agricultura familiar e desenvolvimento territorial: o Programa Nacional de Alimentação Escolar no contexto geográfico do Estado de São Paulo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Gonçalves, Deywison Tadeu Resende [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/166355
Resumo: As mudanças institucionais no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) atenderam aos princípios da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) além de instituir mercados à agricultura familiar. O Artigo 14 da Lei Federal n. 11.947 de 2009 reserva à aquisição de produtos da agricultura familiar 30% do total dos recursos repassado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FDNE) às Entidades Executoras (EExs), escolas e secretarias de educação estaduais e municipais. Com o Programa Territórios da Cidadania buscou-se gerar ocupação e renda, além de articular as políticas públicas nos territórios economicamente deprimidos. No Estado de São Paulo, o Território Vale do Ribeira e o Pontal do Paranapanema possuem baixa densidade demográfica em relação ao restante do Estado, consequentemente possuem menor população escolar e menores recursos repassados pelo FNDE. O objetivo deste trabalho é compreender o comportamento das compras públicas do PNAE no contexto geográfico do Estado de São Paulo, entendendo o consumo territorial e a demanda externa como fatores pilares a serem considerados. Este intuito se justifica pela premissa de que o baixo repasse de recursos aos territórios leva os fornecedores a buscarem mercados externos, sobretudo nos municípios populosos. Através das prestações de contas disponibilizadas pelo FNDE, foi necessário verificar os produtos territoriais demandados por municípios do Estado, externos aos territórios, tendo como base o ano de 2014 e considerando o valor pago, tipo de produto e perfil dos fornecedores. Posteriormente, entre os dois conjuntos foi possível comparar a localidade e os seus respectivos perfis populacionais, como potencial mercado consumidor. Em âmbito territorial foi considerado o período 2013-2015 para identificar o consumo dos alimentos locais, territoriais e externos pelas compras públicas, também considerando tipo de produto, valor e perfil do fornecedor. Por meio da realização de entrevistas semiestruturadas realizadas no Vale do Ribeira, foi possível identificar as relações decorrentes do mercado institucional na questão do envolvimento de indivíduos e instituições como agentes territoriais e da articulação dos agricultores em organizações. Todo esse processo permitiu verificar a contribuição da participação no programa à renda dos agricultores. Foi possível constatar que a alocação interna dos recursos é superior aos que se deslocam para fora dos territórios, mas ainda é significativo o valor deste segundo montante e majoritária a participação de demais fornecedores. Quanto ao tipo de produto, pela agricultura familiar as prefeituras puderam contar com alimentos in natura e minimamente processados, já os demais fornecedores participaram com maior intensidade com produtos de origem animal, carnes e derivados de leite. A experiência dos mercados institucionais no Vale do Ribeira aponta a trajetória das organizações da agricultura familiar como principal estratégia para busca de recursos externos via PNAE. Já em âmbito local o principal entrave é o predomínio da bananicultura e os conflitos entre agricultura e meio ambiente, tendo como potenciais estratégias para a solução destes impasses a diversificação produtiva, a conquista de novos mercados e a transição para o cultivo orgânico.