De versos e trovas: análise de aspectos fonoestilísticos do português medieval por meio das “Cantigas de Santa Maria”

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2012
Autor(a) principal: Migliorini, Lívia Monteiro de Queiroz [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/103532
Resumo: Esta tese objetiva analisar a ocorrência de processos fonológicos de cunho estilístico, isto é, processos considerados não esperados, a partir de um corpus do Português Medieval: as Cantigas de Santa Maria. Trata-se, portanto, de verificar os possíveis condicionamentos linguísticos envolvidos na sua realização, sobretudo no que se refere a fenômenos de sândi – crase elisão e hiato – e paragoge. As Cantigas de Santa Maria são atribuídas à lavra de Afonso X de Castela, o rei “Sábio”. Esta coleção é composta por 420 cantares em louvor à Virgem Maria, de quem o monarca é adorador. Todavia, para o presente estudo, foi feito um recorte no que se refere ao cancioneiro mariano, sendo coletados, assim, os processos estilísticos atuantes nas cem primeiras cantigas. Entende-se como processo não esperado aquele que deixa de atuar em contextos em que sua realização é esperada, o que inclui casos típicos de opacidade (cf. KIPARSKY, 1985). Desta forma, pode-se dizer que esta pesquisa tem como objetivo, ainda, descrever as regras opacas dos referidos fenômenos. O objetivo principal é, contudo, fazer uma análise do tratamento que vêm recebendo tais formas tidas como desviantes, no âmbito de teorias fonológicas, desde o estruturalismo até modelos mais recentes, como a teoria da Otimalidade. O que foi possível constatar é que as teorias, de modo geral, encontram sérias dificuldades de inserir processos estilísticos na gramática da língua, sendo a Fonologia Lexical (KIPARSKY, 1982, 1985; MOHANAN, 1986; PULLEYBLANK, 1986) o modelo que mais se aproxima de uma solução, à medida que descreve tais fenômenos e os enquadra na gramática fonológica. Por conta disso, esta tese defende que esses casos não podem ser relegados à margem da gramática. Deste modo, para descrição e análise das regras de sândi e paragoge, lançaremos...