Livro-objeto e a leitura com bebês e crianças pequenininhas: da ação brincante aos gestos inaugurais do ato de ler

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Rodrigues, Zelia Inez Lázaro
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/243347
Resumo: A pesquisa materializada nesta dissertação teve como objetivo compreender como as características do projeto gráfico-editorial e estético-literário do livro-objeto, podem potencializar o desenvolvimento dos gestos inaugurais do ato de ler, precursores da capacidade e atitude leitora. Ao pensarmos a literatura relacionada às crianças na etapa inicial da Educação Infantil, nos remetemos às obras literárias que, por suas dimensões ética, estética e ideológica, afetam e promovem interações desenvolventes junto às crianças, considerando-as como leitoras potenciais que (ao interagir de forma mediada ou autônoma com este bem da cultura humana) realizam objetivações e constroem sentidos não somente na posição de ouvinte, mas também em suas experimentações práticas, participando assim de momentos inaugurais do ato de ler. Para atingir o objetivo proposto, foram utilizados como procedimentos metodológicos a revisão de literatura junto ao Banco de Dissertações e Teses da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), o levantamento bibliográfico de obras e autores que tratassem dos conceitos de Linguagem, Literatura, Leitura e Escrita, Gestos inaugurais do ato de ler e Livro-objeto que, por meio da categoria bakhtiniana do cotejo, proporcionaram a elaboração desta dissertação. Como etapa metodológica final, realizamos a análise de quatro obras literárias que, por suas características híbridas e brincantes, circunscrevem-se na categoria livro-objeto, cotejando as análises bibliográficas realizadas com os aspectos constituintes das obras. O referencial teórico utilizado para iluminar tais reflexões se apoiou no pensamento de estudiosos da Literatura Infantil como Zilberman (2014), Lajolo e Zilberman (2017), Linden (2018), Nikolajeva e Scott (2011), Ramos (2017), Ramos e Navas (2020), Paiva (2010), Oliveira (2008) e outros teóricos, bem como nos pressupostos da filosofia da linguagem defendida por filósofos russos como Bakhtin (2011, 2012, 2016, 2017), Volóchinov (2013, 2018) e da Teoria Histórico-Cultural, representados por Vigotsky (1991,1993, 1996, 1998, 2001, 2017), Elkonin (1998), Leontiev (1988, 2001, 2010). Como resultados compreendemos que os bebês e as crianças pequenininhas são seres constituídos pela linguagem e pelas relações dialógicas concebidas por meio dela e que, desde que nascem, começam a se apropriar em seu psiquismo, das vozes, sentidos e enunciados presentes nas narrativas literárias, de acordo com seu nível de desenvolvimento. Por conseguinte, a literatura infantil deve fazer parte da vida das crianças na escola da infância, de forma intencional, em interações múltiplas e constantes, possibilitadoras de emergentes necessidades de ler, conhecer, expressar-se, apropriar-se da cultura e seus objetos e conhecer o seu entorno, como meio para que elas possam se desenvolver e se humanizar. Neste contexto, os livros-objeto carregam a possibilidade da apreciação estética na esfera das atividades literárias, por suas características relativas ao projeto gráfico-editorial, materialidade e hibridismo de linguagens; situados entre o livro e o brinquedo, enfatizam a figura do leitor e constituem-se em convites brincantes ao desenvolvimento dos gestos inaugurais do ato de ler e o potencializam. Os livros-objeto são portanto contemporâneos, surpreendentes e instigantes.